Operação Quimera desarticula esquema de lavagem de dinheiro do tráfico envolvendo imóveis de lazer
Uma operação policial deflagrada nesta terça-feira (04/08) revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro orquestrado por traficantes do Comando Vermelho. A investigação aponta que estabelecimentos como o Várzea Country Clube, em Água Santa, e uma pousada em Armação dos Búzios, foram utilizados para movimentar cerca de R$ 11 milhões em recursos provenientes do tráfico de drogas.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em ação conjunta com o Ministério Público, cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços, mirando o uso de clubes recreativos como fachada para atividades criminosas. A Operação Quimera, como foi batizada, busca desarticular a rede que se utilizava de pessoas de confiança para administrar os negócios ilegais.
As apurações, que começaram no ano passado, identificaram um padrão de extorsão contra outros clubes recreativos, além da tentativa de assumir o controle administrativo de locais. Conforme informação divulgada pelo Portal G1, o esquema envolvia a colocação de indivíduos ligados à organização criminosa para gerir os estabelecimentos, garantindo o fluxo contínuo do dinheiro ilícito.
Clube no Rio de Janeiro servia como centro de operações para lavagem de dinheiro
O Várzea Country Clube, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, tornou-se um dos focos da investigação. Segundo a polícia, integrantes da organização criminosa indicaram pessoas de confiança para gerenciar o clube, que continuava a realizar festas e eventos normalmente. A delegada Kely Goularte destacou a forma informal de administração:
“Verificamos que o Várzea estava sem presidente formalmente constituído e, mesmo assim, funcionava normalmente, promovendo festas, eventos e serviços”, explicou a delegada.
A investigação revelou que um núcleo familiar administrava o clube informalmente, movimentando uma quantia expressiva. “Com isso, nós conseguimos identificar um núcleo familiar que administrava informalmente aquele clube e movimentou R$ 11 milhões em menos de 6 meses”, acrescentou a delegada.
Pousada em Búzios também utilizada para ocultar origem dos recursos
O esquema de lavagem de dinheiro não se limitava à capital. Uma pousada em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, também foi identificada como parte da rede criminosa. Chamada Menino do Rio, o estabelecimento, apesar de sua estrutura modesta, apresentou movimentações financeiras suspeitas.
A pousada, com 16 quartos e cinco funcionários, registrou movimentações incompatíveis com sua capacidade. Em pouco mais de seis meses, a pousada movimentou cerca de R$ 3,44 milhões. Foram identificados mais de 600 depósitos em espécie, totalizando aproximadamente R$ 955 mil, valores considerados incompatíveis pela delegada.
“Esses valores eram incompatíveis com o tamanho da pousada”, afirmou a delegada.
Inteligência financeira aponta transações suspeitas e pulverização de recursos
Relatórios de inteligência financeira foram cruciais para desvendar o esquema. Foram identificadas diversas transações entre familiares, empresas e pessoas físicas, utilizando transferências bancárias, depósitos em dinheiro e operações fracionadas via PIX. Essas movimentações eram incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
O objetivo do grupo era ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento do patrimônio e reinserir na economia formal os valores obtidos com o tráfico. “Somadas, as movimentações identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos e lavagem de dinheiro”, conclui a investigação.














