A escultura A Baleia voltou a ocupar seu espaço no Calçadão do Leme, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após passar por um processo de restauração. A obra do artista plástico Ângelo Venosa retornou ao local na última segunda-feira (1º), marcando o fim de um período de recuperação iniciado em março deste ano.
Considerada um dos marcos visuais mais conhecidos da orla carioca, a peça precisou ser retirada temporariamente para receber intervenções de conservação. Os reparos foram realizados para corrigir danos provocados por pichações e pelos efeitos da corrosão causada pela maresia e pela névoa marítima.
Produzida em aço, a obra possui aproximadamente 12 toneladas, com cerca de seis metros de largura e quatro metros de altura. A exposição constante às condições climáticas típicas da orla exigiu um trabalho especializado para preservar a estrutura e garantir sua permanência no espaço público.
Apesar de ser amplamente conhecida pelos cariocas como “A Baleia”, a criação de Ângelo Venosa nunca teve a intenção de representar o animal marinho. O apelido surgiu de forma espontânea entre moradores e visitantes e acabou sendo incorporado ao imaginário popular ao longo dos anos.
A trajetória da obra pela cidade também faz parte de sua história. Antes de ser instalada no Leme, a escultura permaneceu por mais de duas décadas na Praça Mauá, na região central do Rio de Janeiro.
Em 1998, a peça foi transferida para a Zona Sul a pedido da Marinha do Brasil. Desde então, tornou-se uma das referências culturais e artísticas da região, integrando a paisagem da orla e atraindo a atenção de turistas e moradores.
O retorno da escultura mobilizou diferentes instituições ligadas à preservação cultural e ao desenvolvimento urbano. O trabalho de reinstalação contou com apoio do Instituto Carioca Cidade Criativa (ICCC) e do projeto RevivaRio Leme.
A cerimônia que marcou a volta da obra reuniu moradores do bairro, estudantes de uma escola municipal e familiares do artista. Estiveram presentes a filha de Ângelo Venosa, Bárbara Venosa, e sua viúva, Sara Venosa, que acompanharam a recolocação do monumento.
Ângelo Venosa, falecido em 2022, é reconhecido como um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira. Suas obras se destacam pela exploração de formas orgânicas e estruturas que dialogam com o espaço urbano.
Com a restauração concluída, a escultura volta a integrar o cenário do Leme, reforçando a presença da arte pública na cidade e preservando um dos símbolos mais conhecidos da paisagem carioca. A expectativa é que a intervenção ajude a prolongar a vida útil da obra e mantenha sua relevância cultural para as futuras gerações.
E para quem passa pela orla do Leme, a volta da escultura representa mais do que a recuperação de um monumento: é o reencontro com uma das imagens mais marcantes do Rio de Janeiro.














