Entregador baleado por policial penal no Rio recebeu mensagem para cancelar pedido

Entregador baleado por policial penal no Rio

O entregador baleado por policial penal no Rio viveu momentos de desespero após ser atingido no pé durante uma entrega em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Enquanto sangrava na portaria do condomínio, Valério de Souza Júnior recebeu pelo chat do aplicativo uma mensagem pedindo o cancelamento do pedido. Estou aqui no chão sangrando e você tentando cancelar o pedido?, escreveu o trabalhador em resposta imediata.

De acordo com a Polícia Civil, o episódio teve início quando a cliente pediu que o entregador subisse até o bloco para entregar a encomenda. Valério se recusou, seguindo as normas do iFood, que determinam que a entrega deve ser feita no portão do condomínio. Diante da negativa, o policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, marido da cliente, desceu alterado e exigiu o pedido sem apresentar o código de retirada. Em seguida, efetuou o disparo que atingiu o pé do motoboy.

Mesmo ferido, Valério tentou pedir ajuda e explicou que também era morador do local. Pouco depois, mensagens enviadas pelo celular da esposa do policial mostraram uma tentativa de cancelamento do pedido, o que, segundo os investigadores, pode ter sido uma manobra para encobrir o crime.

A Polícia Civil intimou a cliente, Vanessa, a prestar depoimento na 32ª DP (Taquara). Já o policial penal foi preso em flagrante no domingo (31). O caso aconteceu no conjunto habitacional Merck, em Jacarepaguá, e mobilizou manifestações de entregadores que cobram mais segurança e respeito no exercício da profissão.

O iFood repudiou o episódio e reforçou que os entregadores não são obrigados a subir até apartamentos, lembrando sua campanha “Bora Descer”, lançada em 2024, que incentiva moradores a buscar pedidos na portaria. A empresa também informou que prestará apoio jurídico e psicológico a Valério, que permanece com a bala alojada no pé e sem previsão de retorno ao trabalho.

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