Entenda a SAF do Fluminense: aporte, dívida e governança em uma proposta que promete mudar a história do clube. O plano, apresentado por cerca de 40 investidores ligados à Lazuli Partners e à LZ Sports, prevê R$ 6,9 bilhões em aportes ao longo de 10 anos e a assunção integral da dívida do futebol, avaliada em R$ 871 milhões.
O modelo prevê um aporte inicial de R$ 500 milhões — sendo R$ 250 milhões na assinatura do contrato e R$ 250 milhões em até dois anos. Além disso, estão previstos R$ 4,6 bilhões em investimentos obrigatórios para despesas como salários, compra de ativos e royalties, além de R$ 1,8 bilhão em valores futuros vinculados a resultados esportivos. Até que os aportes sejam cumpridos, os investidores não poderão distribuir lucros. O Fluminense também terá direito a royalties anuais de cerca de R$ 6,4 milhões pelo uso de marca e patrimônio.
Na estrutura de governança, a SAF funcionaria como empresa de capital aberto, com conselho de oito cadeiras — cinco destinadas aos investidores e três ao clube. A proposta proíbe a venda de ações nos primeiros anos, garantindo participação institucional do Fluminense no processo decisório.
Entre os nomes ligados ao fundo estão André Esteves (ex-BTG Pactual), a família Almeida Braga (seguros), a família Klabin (papel e celulose), Daniel Dantas (Opportunity), Ricardo Tadeu (ex-AB InBev) e a família Monteiro de Carvalho (Grupo Monteiro Aranha). Diferente dos modelos de Botafogo, Vasco e Cruzeiro — controlados por um único investidor —, o Flu aposta em pulverização, maior diversidade de sócios e mais presença do clube na gestão.
Agora, a proposta será avaliada juridicamente e votada pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia de Sócios. Se aprovada, pode representar um marco histórico na modernização do futebol tricolor, equilibrando as finanças e ampliando a competitividade frente a rivais.
Comparativo das SAFs no Brasil
| Clube | Controlador / Investidores | % do Clube | Dívida assumida | Investimento total | Diferencial |
|---|---|---|---|---|---|
| Fluminense | Fundo de ~40 investidores (Lazuli / LZ Sports) | 65% SAF / 35% Clube | R$ 871 milhões | R$ 6,9 bilhões (10 anos) | Estrutura pulverizada, maior presença do clube no conselho (3 cadeiras de 8) |
| Botafogo | John Textor (Eagle Football) | 90% SAF / 10% Clube | ~R$ 215 milhões | ~R$ 1,2 bilhão | Controle centralizado em único investidor |
| Vasco | 777 Partners (EUA) | 70% SAF / 30% Clube | R$ 700 milhões | ~R$ 1,2 bilhão | Fundo estrangeiro como controlador único |
| Cruzeiro | Ronaldo / BPW Sports | 90% SAF / 10% Clube | ~R$ 350 milhões | ~R$ 500 milhões | Gestão focada em figura esportiva (Ronaldo) |














