Em sabatina nesta terça-feira no Rio, o candidato ao governo Douglas Ruas (PL) atacou o rival Eduardo Paes (PSD), acusando aliados do prefeito de ligação com o crime, enquanto tentava se distanciar dos ex-aliados Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar.
Ataques cruzados e tentativa de desvinculação política
A sabatina realizada nesta terça-feira abriu a série de entrevistas com os candidatos que disputam o comando do Estado do Rio de Janeiro. Durante 90 minutos de sabatina organizada pelos jornais O Globo, Extra, Valor e pela rádio CBN, o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), adotou um tom ofensivo contra seus principais adversários na corrida eleitoral.
Mesmo tendo ocupado o cargo de Secretário Estadual de Cidades na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), Ruas tentou se apresentar ao eleitor fluminense como a verdadeira representação da mudança no estado. O candidato do PL buscou afastar sua imagem das figuras políticas com quem esteve aliado até recentemente, como o próprio Castro e o ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), que foi preso e cassado após investigações da Polícia Federal.
Para responder às questionamentos sobre a prisão de antigos aliados por suspeita de envolvimento com facções criminosas como o Comando Vermelho, Douglas Ruas argumentou que a responsabilidade e as condutas individuais devem ser tratadas de forma isolada pela Justiça. Em seguida, desviou o foco das críticas para a chapa do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).
O que o candidato do PL falou sobre Paes e aliados
Durante a entrevista, Douglas Ruas direcionou acusações para integrantes do grupo político do seu adversário Eduardo Paes. O candidato do PL citou episódios envolvendo políticos ligados à coligação do prefeito da capital fluminense, alegando que o grupo adversário possui conexões com a criminalidade organizada no estado.
Ruas relembrou o caso da deputada estadual Lucinha (PSD), investigada por suposta ligação com milícias na Zona Oeste do Rio. Ele destacou que o filho da parlamentar, Júnior da Lucinha, teve sua candidatura a deputado contestada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por receio de continuidade do esquema. O candidato também citou o ex-deputado TH Joias, preso sob acusação de envolvimento com o Comando Vermelho, lembrando que ele ingressou na vida pública pelo MDB, partido que ocupa a indicação de vice na chapa de Paes.
Além de mirar na coligação atual, o candidato de 37 anos tentou vincular Eduardo Paes à velha política do Rio de Janeiro, citando a antiga aliança entre o prefeito e o ex-governador Sérgio Cabral. Ruas afirmou representar uma nova geração de gestores públicos disposta a romper com um modelo que, segundo ele, fracassou nas últimas três décadas nas áreas essenciais da segurança pública, saúde e transporte.
A tentativa de distanciamento de Cláudio Castro
Um dos momentos mais tensos da sabatina ocorreu quando Douglas Ruas foi questionado sobre sua proximidade com Cláudio Castro. O ex-governador do PL enfrentou três operações da Polícia Federal ao longo do mandato e teve os direitos políticos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido a acusações de abuso de poder político e econômico.
Ruas afirmou que nunca manteve uma relação de intimidade pessoal com Castro, embora tenha sido indicado por ele para gerenciar pastas importantes no Governo do Estado e tenha recebido apoio explícito para concorrer à sua sucessão antes da renúncia de Castro. O candidato argumentou que sua atuação na Secretaria Estadual de Cidades foi estritamente técnica e focada em entregas para a população.
A postura de descolamento é vista por analistas políticos como uma estratégia obrigatória para minimizar os danos da rejeição do governo anterior junto ao eleitorado da Baixada Fluminense, do Norte Fluminense e da Região Metropolitana. Contudo, os adversários prometem continuar usando o passado recente do candidato do PL para enfraquecer o discurso de renovação.
Como fica a disputa eleitoral no estado do Rio
As declarações fortes do candidato ocorrem em um cenário marcado pelo rigor do Ministério Público Eleitoral no estado. O MPE tem intensificado as ações de impugnação contra candidaturas que apresentem indícios de ligação com facções criminosas e milícias, buscando impedir que organizações ilícitas ampliem sua influência nas urnas e na administração pública.
No momento, pelo menos oito candidaturas no Estado do Rio de Janeiro já foram alvo de questionamentos e pedidos de barramento na Justiça Eleitoral por suspeita de associação ao crime organizado. As decisões finais caberão aos juízes do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) nas próximas semanas.
Para quem vive na Baixada Fluminense e nos bairros da Zona Oeste e Zona Norte da capital, o clima de incerteza política impacta diretamente a expectativas de melhorias no transporte coletivo, na segurança de rua e no atendimento nos postos de saúde. A população cobra propostas concretas para o cotidiano, e não apenas trocas de acusações entre os concorrentes.
O que o eleitor precisa saber para acompanhar o pleito
O eleitor que deseja conferir as propostas completas de cada candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro pode acessar o sistema oficial do Tribunal Superior Eleitoral na internet. Lá é possível consultar o plano de governo, a declaração de bens e a situação cadastral de todos os postulantes às eleições deste ano.
Para tirar dúvidas sobre o local de votação, situação do título eleitoral ou fazer denúncias sobre propaganda irregular ou compra de votos, o cidadão do Rio de Janeiro dispõe de canais diretos e gratuitos mantidos pela Justiça Eleitoral no estado:
- Telefone do TRE-RJ: Ligue para o número (21) 3436-8000 para informações gerais sobre o pleito e regularização do título de eleitor.
- Atendimento presencial: Procure a Zona Eleitoral do seu município ou bairro de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h.
- Denúncias eleitorais: Podem ser feitas anonimamente pelo aplicativo Pardal, disponível para celulares Android e iOS, ou pelo site oficial do TRE-RJ.
- Disque Denúncia do Rio: Para denunciar coação eleitoral exercida por milícias ou tráfico em comunidades, ligue para 2253-1177 (atendimento 24 horas e sigilo garantido).
O acompanhamento atento das sabatinas e sabatinas públicas é fundamental para que a população do estado faça escolhas conscientes nas urnas, cobrando compromisso real dos futuros governantes com a segurança, o emprego e o transporte da classe trabalhadora.















