Dinheiro vivo nos ônibus começará a sair da rotina dos passageiros do Rio de Janeiro a partir deste domingo, com a linha 634, que liga o Bananal, na Ilha do Governador, à Praça Saens Peña, na Tijuca. O trajeto será o primeiro da capital fluminense a operar sem aceitar pagamento em espécie diretamente dentro dos coletivos.
A medida foi publicada na edição desta sexta-feira (15) do Diário Oficial do Município e faz parte do plano da Prefeitura do Rio para modernizar o sistema de transporte público. A proposta é reduzir gradualmente o uso de dinheiro em espécie nos ônibus municipais e ampliar as formas digitais de pagamento.
Com a mudança, os passageiros da linha 634 deverão utilizar Pix, cartões ou créditos eletrônicos para embarcar. Segundo a prefeitura, quem ainda usa dinheiro poderá continuar fazendo recargas em máquinas de autoatendimento instaladas em diferentes pontos da cidade, principalmente em estações do BRT, VLT e metrô.
A escolha da linha 634 marca o início de uma nova etapa no transporte coletivo carioca. O modelo busca diminuir a circulação de dinheiro dentro dos veículos, facilitar o controle da operação e incentivar o uso de meios eletrônicos pelos usuários.
Linha 634 também entrou em intervenção
A mudança no pagamento acontece ao mesmo tempo em que a Prefeitura do Rio decretou intervenção parcial na operação da linha 634. O decreto, também publicado no Diário Oficial, permite que o município assuma a gestão e a regularização do serviço por até 180 dias.
A intervenção atinge a concessão operada pelo Consórcio Internorte de Transportes. De acordo com o texto oficial, a medida foi adotada após a apuração de deficiências na prestação do serviço e descumprimento de cláusulas contratuais.
O município afirma que a intervenção tem como objetivo garantir a continuidade e a adequação do transporte público, considerado essencial para a população. Na prática, a prefeitura passa a ter maior controle sobre a operação da linha durante o período determinado.
Controle operacional da Prefeitura
A Secretaria Municipal de Transportes, com apoio da Mobi-Rio, ficará responsável pela condução da intervenção. O município foi autorizado a adotar medidas administrativas, jurídicas e operacionais necessárias para manter o funcionamento da linha.
Além disso, a prefeitura deverá abrir, em até 30 dias, um processo administrativo para investigar as causas que levaram à intervenção. O procedimento também servirá para apurar eventuais responsabilidades pelo descumprimento das obrigações previstas no contrato.
Com a decisão, a linha 634 passa a ocupar posição central nas mudanças planejadas para o sistema de ônibus do Rio. A retirada do pagamento em espécie dentro dos coletivos e a intervenção na operação indicam uma tentativa da prefeitura de ampliar a digitalização, reforçar o controle do serviço e reorganizar parte do transporte municipal.














