Um levantamento sobre rombos na administração pública aponta que os supostos desvios na estrutura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, durante a gestão de Cláudio Castro, chegam a R$ 8 bilhões. O montante astronômico daria para custear quase toda a expansão do metrô até o bairro do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital.
Valor desviado cobriria 82% da obra do metrô no Recreio
A comparação impressiona quem enfrenta rotineiramente o transporte público lotado e demorado na Região Metropolitana. A obra para levar a Linha 4 do metrô da Barra da Tijuca até o Recreio dos Bandeirantes está orçada em R$ 9,8 bilhões. Com os R$ 8 bilhões que teriam sumido das cofres públicos estaduais, o governo conseguiria pagar cerca de 82% de todo o projeto.
Para concluir a expansão do metrô e ligar a Zona Oeste ao restante da cidade pelos trilhos, faltariam apenas R$ 1,8 bilhão. A estimativa dos desvios foi divulgada na coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, que ressaltou que a conta final sobre as perdas no governo fluminense ainda não está totalmente fechada pelas autoridades e órgãos de controle.
De onde vem a estimativa dos desvios no governo estaduais?
O valor de R$ 8 bilhões é tratado como uma estimativa global dos prejuízos apurados em diferentes frentes de investigações no Estado. Contudo, as informações divulgadas até o momento não detalham quais contratos específicos, secretarias ou órgãos estaduais compõem o montante total. A metodologia utilizada para somar as perdas também não foi discriminada no levantamento inicial.
A gestão de Cláudio Castro vem sendo alvo de diversas apurações dos órgãos de fiscalização, como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Federal, que investigam fraudes em licitações e pagamentos indevidos em secretarias estratégicas do governo fluminense.
Como a falta do metrô afeta a rotina na Zona Oeste?
A promessa de levar o metrô até o Recreio dos Bandeirantes é antiga e consta nos planos originais de mobilidade para a Zona Oeste. Sem o transporte sobre trilhos, os moradores do Recreio, Vargem Grande, Vargem Pequena e trechos de Jacarepaguá dependem exclusivamente do sistema BRT e de linhas de ônibus convencionais para chegar ao Centro ou à Zona Sul.
Na prática, a ausência da expansão resulta em trânsito carregado diariamente na Avenida das Américas e na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. Quem precisa se deslocar nesses trajetos perde até quatro horas por dia no transporte público, enfrentando estações lotadas e intervalos irregulares.
O que dizem os órgãos oficiais e o governo?
O Governo do Estado do Rio de Janeiro ainda não apresentou um posicionamento detalhado refutando os números apresentados na estimativa de desvios. O espaço segue aberto para o pronunciamento oficial do Palácio Guanabara e da defesa do governador Cláudio Castro sobre as apurações em andamento.
Em relação às obras do metrô, a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) não tem previsão orçamentária imediata para o início das obras do trecho Barra-Recreio, condicionando grandes intervenções de infraestrutura à obtenção de financiamentos federais ou parcerias com a iniciativa privada.
Quem fiscaliza os gastos e como o cidadão pode denunciar?
O acompanhamento da aplicação das verbas públicas no estado é feito pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e pelo Ministério Público estadual. Qualquer cidadão que identificar suspeitas de irregularidades em serviços estaduais, obras paradas ou mau uso do dinheiro público pode fazer uma denúncia anônima nos canais oficiais.
Para falar com a Ouvidoria do Ministério Público do Rio de Janeiro, o cidadão pode ligar para o telefone 127 (atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h) ou preencher o formulário eletrônico no portal oficial do MPRJ (mprj.mp.br). O Tribunal de Contas também recebe manifestações por meio do telefone 0800 282 3022 ou pelo site tcerj.tc.br.















