Despedida a jovem morto em festa junina é marcada por comoção e revolta

Pais de Herus Guimarães Mendes da Conceição

A despedida ao jovem morto em festa junina, Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 24 anos, foi marcada por emoção, revolta e apelos por justiça. O velório teve início às 11h deste domingo (8), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Herus foi baleado na última sexta-feira (6) durante uma ação da Polícia Militar no Morro do Santo Amaro, no Catete.

De acordo com notícia de Rachel Siston e Marcela Ribeiro, com colaboração de Reginaldo Pimenta para o jornal O Dia, parentes e amigos do jovem compareceram ao velório com camisas do Flamengo, time do coração de Herus. Os pais da vítima, Monica Guimarães Mendes e Fernando Guimarães, levaram ao cemitério o crachá da imobiliária onde ele trabalhava como office-boy, uma foto tirada ao lado do filho pequeno e objetos que simbolizavam a rotina do rapaz.

Monica contou que, pouco antes dos tiros, havia uma oração sendo feita por uma quadrilha na festa. Herus, que estava com a família, teria saído para comprar um lanche em uma padaria próxima. Quando os disparos começaram, cerca de 30 pessoas correram para se abrigar em um pequeno apartamento da mãe de Monica, entre elas crianças gritando pelos pais.

Segundo o relato da mãe, uma amiga viu o momento em que Herus foi atingido por um tiro de fuzil na barriga e caiu próximo à padaria. Ela afirma que o jovem foi arrastado por policiais até uma escadaria, onde ficou caído enquanto os agentes impediam qualquer tentativa de socorro. “Não socorreram o meu filho, não deixaram socorrer o meu filho. Todo mundo gritava, querendo ajudar. Foi omissão de socorro. Foi assassinato”, desabafou Monica.

A vítima só foi retirada do local por moradores da comunidade, que se mobilizaram após perceberem que policiais se afastavam com a aproximação de pessoas filmando a cena. A família alega que a própria comunidade foi quem prestou socorro real, após perceber o descaso dos agentes.

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