Durante uma expedição à Floresta Amazônica equatoriana, no Parque Nacional de Yasuni, pesquisadores da Universidade de Yale encontraram fungos endófitos — organismos que vivem dentro de plantas — capazes de degradar poliuretano, um dos plásticos mais resistentes à decomposição.
Entre eles, o que mais chamou a atenção foi o Pestalotiopsis microspora, que demonstrou a capacidade de consumir plástico mesmo em ambientes sem oxigênio, como nas camadas profundas de aterros sanitários.
Em testes de laboratório, o fungo utilizou o poliuretano como única fonte de carbono, literalmente “comendo” o plástico para sobreviver. Ele secreta enzimas, como as serina-hidrolases, que quebram as ligações moleculares do polímero em compostos menores, absorvidos e metabolizados pelo organismo.
A pesquisa mostrou que, tanto em ambientes com oxigênio quanto sem ele, o Pestalotiopsis microspora manteve o mesmo comportamento degradador, característica rara entre fungos e bactérias. Essa capacidade anaeróbica torna o microrganismo promissor para uso em aterros sanitários, onde o oxigênio é limitado.
Com a humanidade produzindo mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano — e menos de 10% sendo reciclado —, a descoberta abre caminho para projetos de biorremediação em locais onde a decomposição natural do plástico é extremamente lenta ou inexistente.














