Deputado Giovanni Ratinho usa carros pagos pela Alerj em sua fazenda particular

Deputado Giovanni Ratinho

O deputado estadual Giovanni Ratinho, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), está no centro de uma polêmica após a divulgação de vídeos em suas próprias redes sociais. As imagens, que foram posteriormente apagadas, mostravam veículos de luxo alugados com verba pública sendo utilizados em atividades particulares na Fazenda Três Princesas, de propriedade do parlamentar.

Nos registros, uma caminhonete Hilux aparece puxando um trailer com cavalo e transportando ração. De acordo com o portal da transparência da Alerj, o veículo custa R$ 15 mil mensais aos cofres públicos. Outro automóvel, uma Nissan azul, também surge nas postagens, acompanhado da legenda “aqui, a gente bota para torar”. O aluguel desse carro representa mais R$ 8 mil mensais. Somados, os dois veículos geram uma despesa de R$ 23 mil por mês.

Especialistas alertam para a ilegalidade da prática. O advogado Victor Accioly explicou em entrevista que “quando você usa fora dos limites do mandato, você está cometendo uma ilegalidade”. A situação se agrava ainda mais com a constatação de que a Hilux está com o documento vencido desde 2023, segundo consulta ao Detran. A infração é considerada gravíssima, sujeita a multa de quase R$ 300, sete pontos na carteira e até apreensão do veículo.

A empresa responsável pela locação, S M Locadora de Veículos e Máquinas, de Seropédica, não respondeu aos questionamentos da imprensa. Já a Alerj informou que a contratação de veículos é feita diretamente pelos gabinetes e que as notas fiscais estão disponíveis no portal de transparência para qualquer cidadão.

Em nota, a assessoria de Giovanni Ratinho afirmou que o parlamentar atua na proteção de animais e que o uso dos carros estaria ligado a esse trabalho, citando o transporte de um cavalo ao veterinário e a compra de ração. Também declarou que os veículos estão legalizados, apesar das informações divergentes apresentadas pelo Detran.

O caso repercute no cenário político do Rio de Janeiro e deve ampliar os debates sobre o uso de verbas públicas destinadas aos gabinetes parlamentares.

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