A depredação de veículos em Copacabana assustou moradores, lojistas e trabalhadores das ruas Santa Clara e Cinco de Julho, na Zona Sul do Rio, após uma sequência de atos de vandalismo registrada durante a madrugada. Carros tiveram os vidros quebrados, gerando prejuízos financeiros e aumentando a sensação de insegurança em uma área residencial do bairro.
Segundo relatos de quem vive e trabalha na região, o ataque teria sido cometido por um homem em situação de rua e usuário de crack, conhecido por circular frequentemente pelo entorno. O local fica próximo à Ladeira dos Tabajaras, onde moradores afirmam que a venda da droga se intensificou nos últimos meses.
— Há um ano e meio piorou muito. Passei a ter que pedir para eles saírem da calçada quando chego pela manhã. Tem morador de rua que a gente até conhece, mas apareceu bastante gente nova, afirma Eduardo Silva, porteiro de uma creche próxima ao trecho onde os veículos foram depredados.
A poucos metros dali, um chaveiro que atua há 15 anos no mesmo ponto diz que os episódios de vandalismo são recorrentes. — Foi de madrugada. É o mesmo rapaz que já quebrou umas vidraças outras vezes. Ele vive andando por aqui, pede dinheiro, xinga as pessoas e vez ou outra surta. Aí levam preso, mas no dia seguinte já está de volta, relata.
Para moradores antigos, a situação alterou hábitos construídos ao longo de décadas. Uma aposentada que vive em Copacabana há mais de 60 anos conta que deixou de sair sozinha por medo. — Sempre fiz tudo a pé. Hoje, evito sair, principalmente à noite. A gente nunca sabe o que pode acontecer. É uma sensação permanente de insegurança, confessa.
No comércio local, os impactos também são sentidos. Um comerciante da Rua Santa Clara, que trabalha na via há 25 anos, afirma que o movimento caiu de forma significativa. — O movimento caiu muito. Já vi cliente desistindo de comprar por causa das abordagens, desabafa.
O cenário se repete em outros pontos do bairro. No Bairro Peixoto, moradores relatam usuários de crack revirando sacos de lixo em busca de objetos para revenda. Já na Rua Siqueira Campos, pichações com alertas contra o uso da droga chamam a atenção de quem passa pela região.
Medidas paliativas adotadas por moradores
Diante do avanço da desordem, alguns moradores passaram a adotar soluções improvisadas. Na esquina da Rua Santa Clara com a Rua Tonelero, um prédio residencial colocou dezenas de vasos de plantas sobre a calçada para impedir que pessoas se instalassem no local.
— Aqui era praticamente a casa deles. Depois que colocaram os vasos, melhorou bastante. Estou me sentindo mais segura, conta a funcionária de uma banca de jornal, que afirma já ter sido importunada pelo mesmo homem apontado como responsável pelos atos de vandalismo.
Em outros trechos da Rua Tonelero, marquises foram removidas de fachadas de prédios para evitar que os espaços fossem usados como abrigo. Porteiros e vigias da região afirmam, no entanto, que as medidas apenas deslocam o problema para ruas próximas.
O que dizem as autoridades
Procurada, a Polícia Militar informou que o 19º BPM atua com setores de inteligência para identificar envolvidos com o tráfico de drogas na região citada. Segundo a corporação, há rondas a pé e em viaturas, além de ações integradas com a UPP, o programa Rio+Seguro e a Secretaria Municipal de Ordem Pública.
A PM ressaltou que a situação envolvendo pessoas em vulnerabilidade social é uma questão complexa de saúde pública e assistência social, que demanda atuação conjunta de diferentes órgãos.
Já a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que, entre janeiro e dezembro de 2025, foram realizados mais de 11 mil atendimentos a pessoas em situação de rua em Copacabana, resultando em acolhimentos institucionais. Segundo a pasta, as equipes atuam 24 horas no bairro e o acolhimento não é obrigatório, sendo feito com escuta ativa e respeito à liberdade de escolha.
As ações, segundo a secretaria, buscam encaminhar quem aceita o acolhimento para unidades da rede municipal, com acesso a abrigo, serviços psicossociais e de saúde, ainda que uma mesma pessoa possa ser atendida mais de uma vez.














