Deolane e PCC: documento apreendido revela suposta estratégia de lavagem de dinheiro

Deolane Bezerra

A investigação que apura a relação entre Deolane e PCC ganhou um novo capítulo após a Polícia Civil de São Paulo apontar a existência de um documento que, segundo os investigadores, detalharia uma suposta estratégia para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. O material foi apreendido durante uma operação realizada na residência da influenciadora e advogada Deolane Bezerra dos Santos, na Grande São Paulo.

De acordo com o relatório complementar da Polícia Civil, o documento, intitulado “Cronograma Estratégico e Estruturação Corporativa”, apresentaria um planejamento envolvendo empresas de diferentes segmentos para dissimular a origem de recursos que estariam ligados ao crime organizado.

Os investigadores afirmam que o material descreve etapas, prazos, reorganizações societárias e medidas voltadas para a expansão comercial de empresas associadas ao grupo investigado. A suspeita é de que essas estruturas fossem utilizadas para dificultar o rastreamento de valores e posteriormente reinseri-los na economia formal.

A defesa de Deolane informou que está analisando o relatório final complementar produzido pela Polícia Civil. A influenciadora nega qualquer ligação com a facção criminosa e já declarou publicamente que não possui envolvimento com atividades ilícitas.

Na última sexta-feira (29), Deolane e outras sete pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os investigados estão familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado pelas autoridades como principal liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo os delegados responsáveis pelo caso, o documento apreendido vai além de um simples levantamento administrativo e demonstraria uma estrutura organizada de reorganização empresarial.

Conforme o relatório, uma das empresas citadas no material é a DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda, ligada à influenciadora. Os investigadores destacam que a companhia passou recentemente por alteração de endereço, fato que passou a ser analisado dentro das apurações.

A Polícia Civil também sustenta que o conteúdo encontrado reforça a hipótese de utilização de diferentes empresas para movimentação de recursos e ocultação patrimonial.

Durante a Operação Vérnix, realizada há duas semanas, os agentes apreenderam veículos de luxo, joias, relógios, dinheiro em espécie, moeda estrangeira, celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos que serão submetidos a perícia.

Entre os bens recolhidos estão uma Mercedes-Benz AMG G63, um Jeep Commander Limited, uma Cadillac Escalade e uma Land Rover Range Rover P530. Segundo a investigação, alguns veículos estavam registrados em nome de empresas, o que passou a ser analisado pelos investigadores.

Também foram apreendidos 19 relógios de luxo, 40 joias, R$ 51,4 mil em espécie e 1.550 euros. Para a Polícia Civil, o conjunto patrimonial encontrado pode auxiliar no aprofundamento das investigações sobre a origem e a movimentação dos recursos analisados no inquérito.

A defesa dos demais investigados também reforça que o indiciamento não representa reconhecimento de culpa, enquanto o caso segue sob análise das autoridades e da Justiça.

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