Deolane Bezerra movimentou R$ 43 milhões em dois anos, segundo relatório da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. A influenciadora e advogada foi presa na quinta-feira (21), em uma operação que ampliou a repercussão do caso e colocou suas movimentações financeiras no centro das apurações.
De acordo com os investigadores, a análise das contas bancárias e fiscais da influenciadora apontou valores considerados incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados. Entre 2018 e 2022, o relatório indica que Deolane recebeu R$ 7,6 milhões em créditos, mas declarou R$ 577 mil à Receita Federal.
A Polícia Civil afirma ter identificado uma estrutura financeira complexa em torno da influenciadora. Na decisão que determinou a prisão preventiva, a Justiça citou indícios de padrão de vida incompatível com as fontes de renda lícitas mapeadas durante a investigação.
As apurações começaram em 2019 e avançaram após duas quebras de sigilo bancário e fiscal. A primeira analisou movimentações entre 2018 e 2022. A segunda concentrou operações feitas entre 2022 e 2024, período em que, segundo os investigadores, os valores atribuídos a Deolane chegaram a R$ 43 milhões.
Ainda conforme o relatório, quase metade dos recursos recebidos nesse segundo período teria origem não identificada. Para a Polícia Civil, os dados reforçam a suspeita de lavagem de dinheiro e de dissimulação patrimonial.
Empresas ligadas à influenciadora também entraram na mira da investigação. Uma delas, a Bezerra Publicidade, teria movimentado aproximadamente R$ 67 milhões no período analisado na segunda quebra de sigilo.
Outro ponto destacado pelos investigadores envolve operações com fintechs. Segundo a Polícia Civil, entre 2018 e 2022, os valores recebidos dessas instituições ficaram abaixo de R$ 1 milhão. Já entre 2022 e 2024, os depósitos teriam alcançado R$ 30 milhões.
Para os investigadores, a mudança no volume financeiro não acompanharia uma evolução considerada natural das atividades empresariais da influenciadora. O relatório também aponta suspeitas sobre empresas usadas nas operações, algumas delas com possíveis inconsistências documentais.
Após a prisão, Deolane foi levada inicialmente para a Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo. Depois, foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
Durante a audiência de custódia, a influenciadora afirmou que foi presa no exercício da advocacia. Ela também alegou que passou a ser investigada por valores recebidos em sua atuação como advogada.
A defesa informou que entrou com pedido de habeas corpus e solicitou a conversão da prisão preventiva em domiciliar. Os advogados citaram que Deolane tem uma filha de 9 anos e mencionaram entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre prisão domiciliar para mulheres com filhos menores de 12 anos.
O STF admite a possibilidade do benefício em casos de prisão preventiva, mas a concessão pode ser afastada de acordo com as circunstâncias do processo.
Em nota, a defesa de Deolane negou as acusações, afirmou que ela é inocente e classificou as medidas judiciais como desproporcionais.
“Esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”, declarou a equipe jurídica em nota.
Além da influenciadora, a operação também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, familiares dele e outros investigados. O advogado de Marcola afirmou que o cliente é inocente.
A decisão judicial que autorizou a operação determinou ainda o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores ligados a Deolane Bezerra e às empresas associadas a ela. Segundo a investigação, este foi o maior bloqueio patrimonial decretado entre os alvos da ação.
Familiares da influenciadora também são citados no inquérito que apura o suposto esquema de lavagem de dinheiro. O caso segue em investigação e ainda deve ter novos desdobramentos na Justiça.














