A defesa de Jairinho abandonou o julgamento Henry Borel nesta segunda-feira (23), no II Tribunal do Júri do Rio, após a juíza responsável pelo caso negar o pedido de suspensão da sessão. A decisão provocou tensão no plenário e impactou diretamente o andamento do julgamento.
Os advogados do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior alegaram cerceamento de defesa, afirmando não terem tido acesso completo a provas digitais do processo. Segundo a equipe jurídica, parte do material extraído de um notebook ligado ao caso teria sido previamente selecionada, sem a disponibilização integral dos dados brutos.
A magistrada rebateu os argumentos apresentados pela defesa, destacando que as conversas mencionadas já estavam anexadas ao processo por outros meios, não havendo prejuízo para o direito de defesa. Com isso, manteve o andamento normal do julgamento.
Após deixarem o plenário, a assistência de acusação informou que iria solicitar a atuação da Defensoria Pública para evitar a interrupção ou o adiamento da sessão.
Durante a decisão, a juíza classificou a atitude dos advogados como inadequada no contexto do julgamento. “Fere um princípio que norteia as sessões de julgamento, os acusados e a família das vítimas. Tenho que a conduta dos advogados, ainda que motivada por inconformismo, molda-se muito mais ao que é um abandono processual”, afirmou a magistrada, em declaração no tribunal.
Além disso, foi determinado que a defesa de Jairinho arque com os custos da sessão realizada, incluindo despesas com servidores, hospedagem dos jurados e alimentação dos envolvidos.
O caso Henry Borel segue sendo um dos mais acompanhados do país. A criança, de 4 anos, morreu em março de 2021, na Barra da Tijuca, com diversas lesões pelo corpo. As investigações apontaram hemorragia interna e laceração no fígado como causas da morte.
Jairinho e Monique Medeiros respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual, em um julgamento que continua mobilizando atenção pública e repercussão nacional.
O desfecho do julgamento pode marcar um novo capítulo em um dos casos mais emblemáticos da Justiça brasileira recente.














