O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, revelou nesta quinta-feira que investigações em curso indicam uma possível ligação com máfia italiana e grupos criminosos dos Estados Unidos por parte do Comando Vermelho, considerada a maior facção do tráfico de drogas do estado. A declaração foi feita durante coletiva sobre o novo relatório elaborado pelos serviços de inteligência do governo fluminense.
De acordo com Santos, o relatório será encaminhado a autoridades norte-americanas como parte de uma articulação que visa classificar o Comando Vermelho e outras facções criminosas como organizações terroristas internacionais. Com essa medida, a expectativa é reforçar a cooperação entre o Rio de Janeiro e serviços de inteligência dos Estados Unidos, especialmente no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do crime organizado.
“O sistema financeiro dos Estados Unidos, com o uso do Swift, tem facilidade para rastrear e bloquear valores suspeitos no mundo todo. Se houver indícios de que o dinheiro pertence a uma organização criminosa, é possível agir rapidamente”, afirmou o secretário, em depoimento ao jornal EXTRA.
O Swift, sigla para Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais, é um sistema amplamente usado por instituições financeiras internacionais para realizar transferências e detectar movimentações financeiras suspeitas. Com a adesão de instituições americanas à proposta do governo do Rio, a meta é bloquear recursos oriundos do tráfico e impedir a circulação de grandes somas de dinheiro destinadas a ações criminosas.
Ainda segundo Victor Santos, o governador Cláudio Castro tem acompanhado de perto as tratativas e é um defensor ativo da parceria com os EUA. “O governador Cláudio Castro é um entusiasta dessa articulação com as autoridades americanas. O princípio do pacto federativo lhe dá legitimidade para buscar essa cooperação”, acrescentou.
Além da cooperação técnica, o plano prevê também a capacitação de agentes de segurança do estado por especialistas internacionais, especialmente no uso de tecnologia e inteligência financeira. A expectativa é de que isso fortaleça o combate ao tráfico de drogas e às práticas de lavagem de dinheiro que ocorrem dentro e fora do Brasil.
Durante a coletiva, Santos também denunciou o uso de civis como escudos humanos em comunidades dominadas pelo tráfico, o que, segundo ele, reforça a necessidade de tratar essas facções como organizações terroristas. “A utilização de mulheres, crianças, grávidas e trabalhadores como escudos humanos para impedir operações policiais é uma tática clara de terror”, destacou o secretário, em depoimento ao jornal EXTRA.
Ele ainda completou: “Os bandidos impedem o ir e vir, barram ambulâncias, impõem o medo para controlar a comunidade, e também julgam e executam desafetos”. Essa situação, segundo ele, exige uma resposta mais dura e articulada, inclusive com o apoio internacional.
O Complexo do Alemão, uma das regiões citadas como base estratégica da facção, é frequentemente alvo de operações policiais. A área é considerada de alto risco e tem sido usada como exemplo da necessidade urgente de reformas no sistema de segurança pública, aliadas ao uso de inteligência para desarticular financeiramente as organizações criminosas.
Embora o governo ainda aguarde retorno oficial das autoridades dos EUA, fontes próximas indicam que há interesse por parte de órgãos americanos, especialmente devido ao risco de o dinheiro sujo do tráfico estar sendo movimentado por instituições financeiras fora do país.
A proposta de classificar o Comando Vermelho como grupo terrorista, no entanto, pode gerar controvérsias jurídicas e diplomáticas, segundo especialistas. Ainda assim, a medida demonstra uma nova abordagem no combate ao crime organizado, priorizando ações coordenadas de inteligência financeira e monitoramento transnacional.














