Julgamento sobre o caso ‘QG da Propina’ é adiado por pedido de vista no TRE-RJ, mantendo o placar empatado e Crivella sob investigação.
A decisão sobre a denúncia contra o deputado federal e ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella, no caso conhecido como ‘QG da Propina’, foi novamente adiada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). O pedido de vista do desembargador Paulo Cesar Salomão Filho suspendeu o julgamento nesta quinta-feira (23), após o placar ficar empatado em 2 a 2.
A ação investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, alegando a cobrança de propina de empresários em troca de favorecimento em contratos com a Prefeitura do Rio durante a gestão de Crivella. O parlamentar, que também é pré-candidato ao Senado, nega veementemente todas as acusações.
A notícia chega em um momento crucial para Crivella, que busca consolidar sua candidatura ao Senado. A continuidade das investigações e a possibilidade de recebimento da denúncia podem impactar significativamente sua trajetória política. Conforme apurado pelo portal G1, este é o segundo pedido de vista que adia o desfecho do caso, evidenciando a complexidade e os debates intensos dentro do tribunal.
Desembargador vota pelo recebimento da denúncia, mas julgamento é interrompido
O desembargador Guilherme Calmon apresentou seu voto favorável ao recebimento da denúncia contra Marcelo Crivella. Em sua fundamentação, Calmon destacou o histórico das investigações e mencionou que a Justiça já reconheceu em três ocasiões anteriores a existência de indícios suficientes para o prosseguimento do caso. Ele também citou transcrições de interceptações que apontariam o empresário Rafael Alves como pessoa de confiança do então prefeito.
Após o voto de Calmon, a desembargadora Sylvia Hausen também se manifestou pelo recebimento da denúncia, estabelecendo o placar em 2 a 2. Contudo, o pedido de vista de Paulo Cesar Salomão Filho interrompeu o julgamento, adiando a definição.
Caso ‘QG da Propina’: Entenda as acusações contra Marcelo Crivella
A investigação do ‘QG da Propina’ apura um suposto esquema de corrupção na Prefeitura do Rio, que teria operado durante a administração de Marcelo Crivella. O Ministério Público alega que empresários pagavam propina para obter benefícios em contratos públicos.
Um dos focos principais é um contrato de aproximadamente R$ 789 milhões firmado entre o Previ-Rio, instituto de previdência dos servidores municipais, e o grupo Assim Saúde. A acusação sugere que a licitação teria sido direcionada, e que propinas equivalentes a 3% do valor dos contratos teriam sido pagas por meio de empresas de fachada, contratos fictícios e notas fiscais frias para ocultar os pagamentos.
O Ministério Público estima que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 32 milhões, e solicitou à Justiça a devolução desse valor aos cofres públicos. A defesa de Marcelo Crivella, por sua vez, contesta as acusações, afirmando que não há provas concretas e pedindo o arquivamento da ação.
Processo na Justiça Comum e prisões anteriores
Paralelamente à ação na Justiça Eleitoral, Marcelo Crivella também responde a um processo na Justiça comum. Em dezembro de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o ex-prefeito e outras dez pessoas por improbidade administrativa. A promotoria descreve o esquema como planejado, consciente e coordenado, com Crivella e Rafael Alves como principais articuladores.
Segundo o MP-RJ, após vencer a licitação, o grupo Assim Saúde teria contratado empresas de fachada indicadas pelos investigados para simular serviços inexistentes e desviar recursos públicos. Crivella e Rafael Alves chegaram a ser presos no final de 2020, durante as investigações da operação que resultou na denominação ‘QG da Propina’.
Expectativa para a próxima decisão do TRE-RJ
Esta é a segunda vez que o julgamento é interrompido por um pedido de vista. Em junho, o próprio desembargador Guilherme Calmon já havia solicitado mais tempo para analisar o processo. A expectativa é que o caso retorne à pauta do TRE-RJ na próxima sessão, prevista para o mês de agosto, quando se espera um desfecho mais próximo para a denúncia contra Marcelo Crivella.














