A invasão de criminosos armados ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz, desencadeou uma crise política entre os secretários de Segurança e Saúde do Rio de Janeiro. O episódio, ocorrido na madrugada desta quinta-feira (18), elevou o tom das discussões sobre a fragilidade da segurança pública nas unidades de saúde da capital.
Victor Santos, secretário estadual de Segurança, classificou como mentira a declaração do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, que afirmou que as unidades da rede municipal foram fechadas mais de 500 vezes em 2025 devido a episódios de violência. Segundo Santos, os números são inflados e não chegam sequer a 20% do relatado.
O secretário Soranz está mentindo. Ele é mentiroso! Isso não condiz com a verdade. Não existe esse número de ocorrências. Consideramos isso uma irresponsabilidade, porque esse tipo de declaração gera insegurança e medo na população, afirmou Victor Santos em coletiva realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Soranz, por sua vez, rebateu duramente. Em agenda na Zona Norte, disse que a atual política de segurança falha em proteger a população e os profissionais de saúde. Se ele não está vendo todo dia uma unidade de saúde sendo fechada por motivo de violência, ele não está vivendo na nossa cidade. Agora falta inteligência para fazer o seu trabalho e identificar quem são os criminosos que invadiram o hospital, retrucou.
O impasse ocorre em meio à repercussão da invasão armada ao Pedro II, quando bandidos renderam seguranças e procuraram um paciente internado que havia sobrevivido a um atentado. O caso expôs novamente a vulnerabilidade de hospitais diante da violência urbana.
A crise entre os secretários reflete a dificuldade do poder público em articular respostas eficazes para garantir segurança nos hospitais. Enquanto a Secretaria Municipal de Saúde insiste nos números e pede reforço, a Secretaria de Segurança Pública minimiza as estatísticas e cobra responsabilidade na comunicação para evitar pânico.
Enquanto isso, profissionais de saúde seguem pressionados pela rotina de trabalho em áreas conflagradas, e entidades como o Cremerj exigem medidas concretas, como protocolos de resposta imediata, videomonitoramento e reforço policial permanente nas unidades de atendimento.














