Crise dos Correios faz governo ampliar déficit e acende alerta para 2026

Carro dos Correios

A crise dos Correios voltou ao centro das discussões do governo federal após a equipe econômica confirmar que o rombo da estatal forçou um aumento na projeção de déficit das estatais e pode gerar um impacto ainda maior em 2026. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a situação é “grave e estrutural” e que a empresa precisa apresentar, com urgência, um plano robusto de reestruturação.

Segundo Durigan, os números negativos obtidos neste ano estão muito acima do previsto e contribuíram diretamente para que o governo tivesse de compensar o Orçamento de 2025 em R$ 3 bilhões. A revisão levou a projeção das empresas estatais de um déficit de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões. “Não fosse o resultado dos Correios, estaríamos em um cenário mais confortável”, afirmou o secretário.

A nova gestão da estatal aprovou, na semana passada, um plano de reestruturação que prevê um empréstimo de R$ 20 bilhões, venda de imóveis e mudanças internas. O governo avalia conceder aval do Tesouro, mas condiciona a garantia à apresentação de um plano sólido que permita a recuperação da empresa. Durigan afirmou que está em contato direto com o novo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, cobrando celeridade e consistência na proposta.

A crise levou o governo a reconhecer que o impacto fiscal pode se expandir em 2026. O empréstimo, que será buscado em bancos públicos e privados, é o maior solicitado por uma estatal federal em mais de uma década. Segundo a Fazenda, o objetivo é evitar que a deterioração do caixa da empresa se transforme em um problema ainda maior para as contas públicas no próximo ano.

Em meio ao cenário crítico, a equipe econômica destacou que a revisão de gastos ajudou a reduzir bloqueios e evitar que o impacto fosse ainda mais amplo. Mesmo assim, Durigan reforçou que o quadro exige atenção permanente e que o governo seguirá monitorando os resultados da estatal. A meta, segundo ele, é manter o equilíbrio fiscal e impedir que o rombo dos Correios comprometa o desempenho central das contas em 2025 e 2026.

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