Criança amarrada em creche gera revolta e demissões em Duque de Caxias

Creche Municipal Tereza Lisieux

Uma criança amarrada em creche pública de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, gerou indignação e protestos nesta sexta-feira (6). Segundo denúncia da família, o menino de 3 anos foi imobilizado com fita adesiva por uma funcionária da Creche Municipal Tereza Lisieux. O caso teria ocorrido em março, mas só veio à tona nesta quinta-feira (5), quando os parentes tomaram conhecimento da situação por meio de uma foto.

A imagem mostra a criança com as mãos presas por fita, enquanto uma profissional segura outro pedaço prestes a ser colocado em sua boca, segundo relato da tia do menino. “Na foto, claramente, ele está com as mãozinhas amarradas, e ela com outro pedaço de fita nas mãos que com certeza iria passar na boca dele. A escola sabia, todos sabiam, menos a mãe da criança, que é a minha irmã”, contou a familiar, visivelmente abalada.

De acordo com ela, o comportamento da criança já vinha mudando nas últimas semanas. “Ele estava cagando nas calças e roendo as unhas da mão. Automaticamente, a criança já estava com medo do que aconteceu. Precisamos fazer Justiça, pois isso foi com meu sobrinho, amanhã será com quem?”, desabafou nas redes sociais.

A denúncia causou comoção entre pais e responsáveis de outros alunos, que se reuniram em frente à creche nesta sexta-feira para cobrar explicações da direção da unidade. Em nota, a Prefeitura de Duque de Caxias informou que as Auxiliares de Desenvolvimento da Educação Básica (ADEBs) envolvidas foram demitidas e que a diretora da creche será exonerada do cargo.

A Secretaria Municipal de Educação destacou que repudia qualquer tipo de violência em unidades escolares e afirmou que todas as providências foram tomadas após o recebimento da denúncia. “Assim que a Secretaria tomou conhecimento da denúncia sobre um episódio de violência envolvendo um aluno na Creche Municipal Teresa de Lisieux, foram adotadas todas as medidas cabíveis”, informou o comunicado.

Além das demissões, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar com rigor a conduta de todos os envolvidos. A creche, localizada em um bairro residencial de Duque de Caxias, atende dezenas de crianças da região e já havia recebido elogios anteriores por seu trabalho pedagógico — o que aumentou ainda mais o impacto do ocorrido.

Pais exigem mais transparência, câmeras nas salas de aula e acompanhamento psicológico para os alunos. O caso também levantou discussões sobre a capacitação dos profissionais da educação infantil e a necessidade de fiscalização contínua nas unidades públicas.

A família do menino afirmou que irá registrar ocorrência formal e buscar responsabilização criminal das pessoas envolvidas. Até o momento, a criança está em casa, sob os cuidados da mãe e da tia, e será encaminhada para acompanhamento psicológico.

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