A CPI do crime organizado convoca TH Joias para depor e apura lavagem de dinheiro em uma nova fase das investigações conduzidas no Senado. O ex-deputado estadual fluminense Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, foi chamado para prestar esclarecimentos nesta quarta-feira (25).
O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, afirmou que já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal um pedido para autorizar o comparecimento do investigado. A intenção é garantir que o depoimento ocorra dentro dos trâmites legais, já que o ex-parlamentar está preso desde setembro.
Para o senador, a oitiva é considerada peça-chave para compreender como organizações criminosas conseguem se infiltrar na economia formal. “A presença do senhor Tiago aqui será imprescindível. (…) Precisamos entender como o crime organizado se infiltra na economia formal”, afirmou.
TH Joias foi convocado oficialmente pela CPI, o que torna obrigatória sua presença, salvo decisão judicial em contrário. O requerimento aprovado pelos integrantes da comissão aponta que o depoimento é fundamental para traçar um diagnóstico mais preciso sobre a atuação de facções e os mecanismos de lavagem de dinheiro no país.
O ex-deputado é investigado por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e lavagem de recursos ilícitos. Também há apurações sobre possível negociação de armas com o Comando Vermelho. Ele havia assumido mandato na Assembleia Legislativa do Rio em junho, mas perdeu o cargo após ser preso.
As investigações ganharam novos contornos em dezembro, quando a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Unha e Carne. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e apura um suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação contra o ex-parlamentar.
Durante essa etapa, foi preso o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Segundo os investigadores, ele teria contribuído para o vazamento de dados da operação policial.
De acordo com informações divulgadas pelo jornalista Octavio Guedes, o magistrado estaria em um restaurante ao lado do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Rodrigo Bacellar, quando este teria ligado para avisar TH Joias sobre a ação policial.
Para o comando da CPI, o depoimento pode ajudar a mapear possíveis conexões entre política, empresas e estruturas utilizadas por organizações criminosas para movimentar recursos. A comissão também pretende reunir elementos que subsidiem propostas de mudanças legislativas e aprimoramento dos mecanismos de controle financeiro.
O desdobramento da oitiva pode abrir novas frentes de investigação e ampliar o alcance da CPI — um movimento que deve manter o tema no centro do debate político nos próximos dias.














