A cozinha experimental do Cemaee, em Itaguaí, tem transformado quintas-feiras em dias de aprendizado, interação e saúde para dezenas de alunos com deficiência. A iniciativa faz parte do Projeto Vida Saudável, realizado no Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (Cemaee), vinculado à Secretaria Municipal de Educação, e envolve oficinas culinárias com foco em alimentação saudável.
Com aulas pela manhã e à tarde, o projeto busca inserir alunos com deficiência em uma atividade prática e divertida, que estimula habilidades físicas, sociais e emocionais. Em uma atmosfera de afeto e aprendizado, as crianças e adolescentes aprendem receitas acessíveis e nutritivas, com apoio técnico e envolvimento direto das famílias.
O Cemaee, que está prestes a completar 15 anos, atende atualmente 42 alunos com idades entre 6 e 17 anos. A maioria deles está matriculada na rede municipal, mas alguns estudam na própria unidade. O projeto atende aos princípios do Atendimento Educacional Especializado (AEE), promovendo a inclusão e contribuindo para que os alunos tenham mais autonomia também em casa.
As oficinas são conduzidas por Rosângela Martins, economista doméstica da Secretaria Municipal de Educação, que aplica seu conhecimento em nutrição para ensinar receitas adaptadas às necessidades dos alunos. Na última aula, o grupo preparou uma vitamina colorida, sem açúcar, usando frutas e legumes. “É muito satisfatório ver a alegria deles ao participar. Daniel até me ajudou a descascar cenouras. Eles aprendem como preparar receitas e, mesmo com acompanhamento, só o fato de estarem na cozinha os motiva muito”, contou Rosângela, em entrevista ao jornal O Dia.
Os temas mudam semanalmente. Já foram preparados bombons saudáveis na Páscoa e estão previstas receitas de pães, biscoitos e até alternativas caseiras de sobremesas conhecidas, como o Danoninho. As aulas têm sempre um enfoque pedagógico, além de serem uma oportunidade de lazer e integração familiar.
As atividades envolvem não apenas os alunos, mas também seus responsáveis, que acompanham e participam das oficinas. Esse vínculo familiar fortalece o impacto das ações educativas, ampliando o alcance do projeto para além do ambiente escolar.
O diretor do Cemaee, professor Ivan Charles, destaca o valor simbólico e prático do projeto para o desenvolvimento dos estudantes. “O Cemaee é uma parte importante na vida desses jovens e, consequentemente, das suas famílias. A cozinha experimental é ótima porque envolve não só o estímulo físico, mas também o sensorial e de socialização”, ressaltou.
Com direção pedagógica de Giovana Lemos, o Cemaee atua em diversas frentes para desenvolver as capacidades motoras, cognitivas e sociais dos alunos. As oficinas de culinária são uma das ferramentas mais eficazes nesse processo, pois aliam aprendizagem, nutrição e autonomia.
O Projeto Vida Saudável está confirmado até o fim do ano. Até agora, 32 estudantes estão inscritos, sendo que 12 têm frequentado regularmente as oficinas. A expectativa é que, nas próximas semanas, esse número cresça à medida que novas famílias conhecem os benefícios da proposta.
As aulas acontecem em uma sala equipada especialmente para a prática de culinária, com utensílios adequados e estrutura adaptada. O ambiente é acolhedor e seguro, permitindo que os alunos desenvolvam suas habilidades com confiança e alegria.
O trabalho desenvolvido no Cemaee é um exemplo de como a educação inclusiva pode ser eficaz e afetiva. Projetos como o da cozinha experimental Cemaee mostram que é possível unir cuidado, aprendizado e prazer em ações simples que geram grande impacto na vida das famílias e dos alunos.














