Calçadão de Copacabana Sofre com Desordem e Comércio Ilegal: Caos se Instala na Orla Famosa
O icônico calçadão de Copacabana, na Avenida Atlântica, tem se tornado um cenário de desordem e comércio ilegal. A falta de fiscalização tem permitido a proliferação de caixas de som em volume excessivo, a circulação perigosa de motos elétricas nas calçadas e a venda de drogas, tirando o sossego de moradores e turistas.
Placas de proibição parecem ignoradas, com sósias de Michael Jackson animando o público com som alto, enquanto ambulantes de diversas nacionalidades criam um corredor gastronômico e cultural que, por vezes, serve de fachada para atividades ilícitas. A segurança também é comprometida, com registros de apreensões de entorpecentes e dinheiro.
A mobilidade na orla virou um problema sério, com motos elétricas e ciclomotores invadindo calçadas e ciclovias, gerando riscos de acidentes. A situação, que já foi alvo de alertas da prefeitura via QR Codes, parece não surtir efeito prático. Conforme informação divulgada em reportagens recentes, o famoso calçadão de pedras portuguesas da Avenida Atlântica, em Copacabana, transformou-se em uma pista de dança improvisada e barulhenta nas últimas semanas.
Poluição Sonora e Venda Irregular Afetam a Qualidade de Vida
A tranquilidade da orla de Copacabana tem sido perturbada por caixas de som potentes, muitas vezes acopladas a carrinhos de bebidas, que desrespeitam as leis de silêncio. A poluição sonora constante se tornou um pesadelo para quem busca paz e para os moradores dos edifícios próximos.
Paralelamente, a Avenida Atlântica se encheu de ambulantes, alguns ostentando bandeiras de países vizinhos, criando um ambiente festivo, mas também um ponto de vulnerabilidade para a venda de drogas. A Polícia Militar já efetuou prisões na área, mas a rotina de irregularidades persiste.
O comércio informal floresce sem fiscalização adequada. Famílias de outros países, como uma vendedora colombiana, chegam ao Rio de Janeiro atraídas pela oportunidade de lucro, iniciando as vendas sem alvará, com a intenção de regularizar a situação posteriormente. “Ainda vamos entender como fazemos para ter os documentos”, disse a cozinheira.
Mobilidade Comprometida e Riscos nas Calçadas
A circulação de motos elétricas e ciclomotores nas calçadas e ciclovias de Copacabana representa um perigo iminente. O desrespeito às normas de trânsito tem levado a incidentes, como um idoso que perdeu o controle de uma moto elétrica, quase atingindo um ciclista.
Frequentadores assíduos da orla apontam que os alertas da prefeitura, como os QR Codes em placas, não têm o efeito esperado de inibição ou intimidação das atividades irregulares. A falta de controle efetivo permite que veículos motorizados circulem livremente em áreas destinadas a pedestres e ciclistas.
Atrativos Turísticos e o Vácuo da Fiscalização
Apesar da desordem, o cenário de Copacabana também atrai turistas. A mistura cultural com ritmos latinos e a oferta de drinques estrangeiros e nacionais criam um ambiente vibrante. No entanto, o sucesso financeiro e a facilidade de instalar um ponto de venda sem fiscalização atraem trabalhadores informais, incluindo estrangeiros.
O aluguel de carrocinhas de bebidas se tornou uma alternativa comum para o turismo de inverno, mas muitos desses produtos são comercializados sem vistorias sanitárias ou comprovação de origem. Moradores criticam o excesso de carrocinhas sem licença, que chegam cada vez mais pessoas, estrangeiros e brasileiros, para operarem.
Em vistorias noturnas, a ausência de agentes públicos no trecho mais movimentado da praia após as 22h foi flagrada. A administração municipal, por sua vez, alegou ter direcionado equipes para fiscalizar vias internas do bairro, resultando na apreensão de trinta quilos de comida estragada.
Desafios na Formalização e Promessas de Ordenamento
O vereador William Siri (PSOL) aponta que a burocracia para a formalização dificulta a vida de quem deseja trabalhar legalmente. A falta de transparência na concessão das Taxas de Uso de Área Pública (TUAPs) cria um cenário de insegurança e afasta o ambulante que quer atuar dentro da lei.
O comércio clandestino prejudica os vendedores legalizados e gera sensação de insegurança, com furtos de equipamentos. Promessas antigas de monitoramento tecnológico com drones e câmeras especiais ainda não saíram do papel.
Em resposta, o prefeito Eduardo Cavaliere anunciou uma grande ação de ordenamento urbano na orla da Zona Sul, priorizando Copacabana, Ipanema e Leblon, sem data definida. O plano inclui bloqueio de ambulantes clandestinos, apreensão de equipamentos irregulares e proibição de motos elétricas nas calçadas.
O desafio será equilibrar o direito ao trabalho com o ordenamento urbano, já que muitos ambulantes se tornaram atrações turísticas. Moradores, por receio de represálias, preferem o anonimato, descrevendo Copacabana como “loteada” e dominada pelo tráfico.
A Polícia Militar afirma que o policiamento ostensivo é contínuo na área, com viaturas, motos e patrulhas a pé. A Polícia Civil garante a realização de operações rotineiras com foco na identificação e responsabilização dos envolvidos no tráfico de entorpecentes.














