Omissão sobre vínculo familiar entre executiva e desembargador do TJRJ eleva a tensão política e adiciona incertezas ao processo de sabatina na Assembleia Legislativa
A escolha do novo Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) ganhou desdobramentos de forte tensão nos bastidores políticos do estado. A autarquia, responsável por regular e fiscalizar serviços estratégicos de mobilidade urbana como metrô, trens e barcas, opera atualmente em situação crítica, contando com apenas um de seus cinco membros titulares em exercício — cenário que compromete diretamente o quórum mínimo exigido para deliberações cruciais sobre reajustes tarifários, fiscalização de contratos e aplicação de sanções a concessionárias.
Sob a premissa oficial de indicar quatro nomes de perfil estritamente técnico para destravar o funcionamento da agência e recompor o colegiado, a decisão do governador interino acabou envolta em intensa polêmica devido à ocultação de dados relevantes sobre uma das indicadas no momento do afunilamento das negociações.
Entre as indicações enviadas ao Poder Legislativo constam a procuradora do município de Niterói e mestre em Direito Soraya Cesarino, ex-assessora jurídica da Secretaria de Estado de Transportes; o bacharel em Direito Fábio Amorim da Rocha, docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-assistente técnico da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa); e o delegado da Polícia Civil de 1ª classe Sérgio Sahione, profissional com mais de duas décadas de carreira, pós-graduado em Governança em Segurança Pública e atual diretor-geral do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A quarta vaga foi destinada a Giane Zimmer, apresentada publicamente como executiva com vasta experiência nos setores de infraestrutura e logística, com dupla graduação em Direito e Economia e especializações em gestão corporativa pela Fundação COPPEAD e pela PUC-Rio.
O ponto central do conflito emergiu justamente em torno do nome de Giane Zimmer. Embora sua qualificação técnica tenha sido amplamente destacada no anúncio oficial, omitiu-se ao governador interino e aos principais articuladores políticos uma informação crucial do contexto judiciário e institucional do estado: o seu vínculo conjugal com o desembargador Wagner Cinelli, integrante do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
A omissão desse grau de parentesco durante a fase final de escolha acendeu o sinal de alerta no Executivo estadual e levantou profundos questionamentos entre parlamentares sobre a transparência do processo de seleção para um órgão regulador de alta relevância estratégica. Nos bastidores, deputados apontam que a falta de clareza prévia fragiliza a articulação governista e expõe a indicação a desgastes evitáveis.
Com o envio formal das mensagens do Executivo ao Poder Legislativo, cabe agora à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) deliberar sobre a chancela dos nomes. O rito regimental prevê que os quatro indicados sejam sabatinados na Comissão de Normas Internas e Proposições Externas antes de seguirem para apreciação do Plenário.
Para garantirem mandatos de quatro anos na autarquia, os postulantes necessitam da aprovação de maioria simples dos parlamentares em votação aberta.
Diante do cenário de incerteza, deputados estaduais sinalizam que a sabatina na Alerj será rigorosa. Além de aferir os currículos técnicos e a reputação ilibada exigidos pela legislação, a Assembleia deverá escrutinar com lupa o impacto político e as conexões institucionais subjacentes a cada indicação antes de decidir pela aprovação ou rejeição das mensagens governamentais.














