Comércio no Rio Comprido não abre após operação com 8 mortos e medo no bairro

Comércio no Rio Comprido

Parte do comércio no Rio Comprido não abriu nesta quinta-feira (19), um dia após uma operação policial que terminou com oito mortos e deixou o bairro sob forte clima de tensão. Mesmo com o reforço no policiamento, moradores relatam medo de sair de casa e mudanças na rotina.

De acordo com a Polícia Militar, agentes do 4º BPM (São Cristóvão), do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) estão atuando na região. Ainda assim, comerciantes da Avenida Paulo de Frontin, uma das principais vias do bairro, optaram por manter as portas fechadas.

“Está bem complicado. A gente ainda está com medo, inseguros. A minha filha está em casa. Não mandei para a escola porque ontem ela ficou presa na escola também, não conseguiu sair. Então, mudou toda a nossa rotina”, disse uma moradora, em relato.

A operação realizada na quarta-feira (18) teve como alvo comunidades da região e resultou na morte de Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, apontado como chefe do tráfico local e um dos criminosos mais procurados do estado. Outros seis suspeitos também morreram, além de um morador que, segundo a polícia, teria sido feito refém durante uma tentativa de fuga.

A viúva do morador morto contesta a versão apresentada pelas autoridades. Segundo ela, não houve confronto nem negociação durante a ação policial.

“Não teve nenhum tipo de confronto. A polícia, o tempo todo, estava gritando: ‘joga os fuzis para fora, joga os fuzis para fora’. Quando eu escutei a polícia falando: ‘pega a granada’, foi o momento que eles arrebentaram a minha porta com a granada e entraram atirando onde meu marido morreu. Não houve negociação nenhuma. Em momento algum eu vi polícia pedindo negociação para mim e para o meu marido sairmos de casa”, afirmou Roberta Hipólito.

A Secretaria de Polícia Militar informou que o caso está sendo apurado por meio de procedimento interno e que aguarda o resultado da perícia para esclarecer os fatos. A corporação também declarou que lamenta a morte do morador e que está colaborando com as investigações.

Os impactos da operação também atingiram a área da educação. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, sete escolas da região tiveram o funcionamento afetado nesta quinta-feira. Outras duas unidades da rede estadual permaneceram fechadas.

No transporte público, três linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados de forma preventiva por questões de segurança: 133 (Largo do Machado x Terminal Gentileza), 607 (Cascadura x Rio Comprido) e 711 (Rocha Miranda x Rio Comprido), conforme informou o sindicato Rio Ônibus.

Após a ação, criminosos incendiaram um ônibus na Avenida Paulo de Frontin e bloquearam vias do bairro, aumentando ainda mais o clima de tensão.

Durante a operação, dois policiais militares ficaram feridos — um atingido de raspão e outro por estilhaços. Ambos foram atendidos. A mulher de Jiló também foi baleada na perna e segue internada no Hospital Municipal Souza Aguiar, com estado de saúde considerado estável.

Além das mortes, seis suspeitos foram presos. A polícia apreendeu dois fuzis, cinco pistolas, dois revólveres e grande quantidade de drogas.

Mesmo com a presença intensificada das forças de segurança, o cenário no bairro ainda é de cautela, com moradores evitando sair de casa e comerciantes sem previsão para retomar as atividades normalmente — um reflexo direto de mais um episódio de violência que marca a rotina da cidade.

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