Um ciclista foi flagrado pedalando em alta velocidade no interior de um túnel na Zona Sul do Rio de Janeiro nesta semana. As imagens mostram o condutor acompanhando o fluxo dos veículos e disputando espaço com carros e ônibus em um trecho de tráfego intenso.
A cena impressionou motoristas que passavam pelo local no momento da manobra. O caso serve de alerta para o descumprimento das regras de circulação e os perigos do trânsito na capital carioca.
Flagrante de ciclista em alta velocidade em túnel da Zona Sul acende alerta de segurança no trânsito do Rio
O vídeo que circula nas redes sociais mostra o ciclista descendo a via em velocidade compatível com a dos motoristas que trafegavam pelo local. Sem qualquer tipo de proteção adequada para vias de tráfego rápido, ele transitava no meio das faixas de rolamento, bem próximo a veículos de grande porte. A atitude surpreendeu quem transitava pelo trecho urbano da cidade.
A circulação de bicicletas em galerias e passagens subterrâneas sem estrutura própria gera debate entre passageiros, pedestres e condutores do Rio de Janeiro. Embora o uso da bicicleta venha crescendo na capital como meio de transporte e lazer, o compartilhamento de pistas de alta velocidade sem a devida sinalização representa um elevado perigo de colisão grave e atropelamento.
Moradores e motoristas do entorno relatam que o desrespeito às normas de tráfego nesses pontos não é uma novidade passageira. Em horários de pico, a presença de ciclistas em pistas onde a velocidade permitida é elevada exige atenção redobrada de todos os condutores para evitar acidentes e colisões traseiras.
O que diz o Código de Trânsito Brasileiro sobre bicicletas em túneis?
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, a circulação de bicicletas deve ocorrer preferencialmente em ciclovias, ciclofaixas ou acostamentos. Quando esses espaços não existirem, o trânsito de ciclistas deve ser feito nas bordas da pista de rolamento, no mesmo sentido dos demais veículos, garantindo a preferência sobre os automotores.
No entanto, a legislação proíbe ou restringe o tráfego de bicicletas em vias de trânsito rápido e em túneis que não contem com passagens segregadas ou acostamento próprio para ciclistas. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro reforça que essas passagens possuem limitação de visibilidade e espaço reduzido, tornando o tráfego de bicicletas extremamente perigoso para o condutor e para terceiros.
A desobediência a essas determinações é considerada infração de trânsito, sujeita a penalidades previstas em lei. A prioridade da legislação é proteger a integridade física dos usuários mais vulneráveis da via, evitando o compartilhamento desproporcional de espaço com motoristas de ônibus, caminhões e automóveis passeio.
Quais são os principais riscos dessa prática para a rotina do trânsito?
Pedalar em alta velocidade dentro de galerias fechadas expõe o ciclista a múltiplos fatores de risco. A iluminação oscilante nesses locais dificulta a visão dos motoristas, enquanto o barulho acumulado impede que o ciclista escute a aproximação de outros veículos com clareza. Além disso, a falta de acostamento na maioria das estruturas do Rio não deixa margem para manobras de emergência.
Em caso de queda ou derrapagem na pista, a probabilidade de um atropelamento com gravidade é altíssima devido ao fluxo contínuo de automóveis. Esse tipo de ocorrência também provoca retenções no tráfego, afetando milhares de pessoas que dependem dos ônibus e das vias expressas para chegar ao trabalho, à escola ou aos compromissos diários na cidade.
Outro ponto crítico é a formação de colunas de ar provocadas por ônibus e caminhões em alta velocidade dentro do ambiente fechado. O deslocamento de ar pode fazer com que o ciclista perca o equilíbrio ou seja empurrado contra as paredes laterais ou em direção às faixas de rolamento dos carros.
Como funciona a fiscalização e monitoramento da CET-Rio?
A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro monitora as principais vias e galerias da cidade por meio do Centro de Operações Rio. As câmeras de vigilância instaladas ao longo das pistas acompanham a movimentação em tempo real para identificar irregularidades, retenções, acidentes ou a presença indevida de pedestres e ciclistas em locais proibidos.
Quando uma anormalidade é registrada pelas equipes do COR, os operadores acionam os agentes de trânsito em campo para orientar o tráfego e realizar o bloqueio de segurança necessário. Nos casos de flagrante de conduta ilícita, orientadores de trânsito podem intervir para remover o ciclista do trecho de risco e encaminhá-lo para um local seguro fora da pista de rolamento.
As equipes da Guarda Municipal do Rio de Janeiro também atuam no apoio ao ordenamento urbano nas saídas e acessos das vias expressas da capital. A presença das patrulhas visa inibir atos imprudentes que coloquem em xeque a segurança coletiva nos corredores viários do município.
O que fazer em situações de perigo ou de iminência de acidente?
Para quem está dirigindo e se depara com um ciclista em local inadequado ou em velocidade perigosa, a orientação principal é manter a distância de segurança mínima de 1,5 metro, conforme exige o Código de Trânsito Brasileiro. É fundamental reduzir a velocidade de forma gradual, sem frear bruscamente para não causar engavetamento na pista.
Não buzine excessivamente perto do ciclista, pois o susto pode fazer com que a pessoa desvie bruscamente e caia sob as rodas dos veículos. Ligue o pisca-alerta se precisar sinalizar aos motoristas que vêm atrás sobre a presença de um obstáculo à frente na pista de rolamento.
Se houver acidente ou situação de emergência com feridos dentro do túnel, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro pelo telefone 193 ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192. Mantenha o local sinalizado até a chegada do socorro.
Como denunciar abusos e irregularidades nas vias do Rio
A população pode colaborar com a fiscalização das vias públicas informando episódios de risco e falta de segurança nos canais oficiais do município do Rio de Janeiro. Ao presenciar episódios recorrentes de imprudência no trânsito, o cidadão deve acionar a Central de Atendimento da Prefeitura.
- Central de Atendimento da Prefeitura do Rio: Telefone 1746 (funciona 24 horas por dia) ou pelo aplicativo 1746 Rio.
- Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro: Telefone 190 para emergências diretas nas vias e riscos iminentes de acidentes.
- Disque Denúncia: Telefone (21) 2253-1177 para denúncias anônimas sobre infrações recorrentes e desordem urbana na cidade.
O registro formal das ocorrências ajuda a prefeitura a mapear os trechos com maior incidência de problemas e a planejar ações preventivas de fiscalização e campanhas de conscientização para motoristas e ciclistas em todo o estado do Rio de Janeiro.
Foto: Povo na Rua















