Chefe do tráfico em Belford Roxo é condenado a 37 anos por mandar matar PM

Cremilson Almeida de Souza

O chefe do tráfico em Belford Roxo foi condenado a 37 anos e seis meses de prisão por ordenar a morte de um policial militar na Baixada Fluminense. A sentença foi anunciada após julgamento realizado nesta quinta-feira (12), que também resultou na condenação de um dos executores do crime.

O réu Cremilson Almeida de Souza, conhecido como Coroa, era apontado como uma das principais lideranças do tráfico na comunidade do Roseiral. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, ele determinou a execução do policial militar Francisco Fernandes de Souza, assassinado em janeiro de 2019.

No mesmo julgamento, Leonardo da Silva Oliveira, identificado como um dos responsáveis por executar o crime, foi condenado a 34 anos e seis meses de prisão.

De acordo com as investigações do Ministério Público, Coroa mantinha controle rígido sobre a região e não permitia qualquer tipo de aproximação entre moradores e policiais. A promotoria destacou que o traficante já havia se envolvido em outros episódios violentos na comunidade.

Entre os antecedentes citados durante o processo está a participação direta na morte de um cabo da Polícia Militar que entrou na localidade por engano em 2017. Também foi mencionada a ordem para executar moradores acusados de manter amizade com policiais.

Ainda segundo a acusação, o policial Francisco Fernandes foi morto enquanto participava de uma comemoração de aniversário na porta de casa. A vítima morava na região e havia repreendido usuários de drogas pouco antes do crime.

Testemunhos apontam que os traficantes receberam relatos sobre a atitude do policial, o que teria motivado a decisão de executá-lo.

Durante o julgamento, a promotoria sustentou que o homicídio foi cometido por vingança e também como forma de demonstrar poder do tráfico na comunidade.

O Conselho de Jurados acolheu a tese de que o crime ocorreu por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e ainda por ter sido praticado contra um agente de segurança pública em razão de sua função.

Na sentença, também foram ressaltadas as circunstâncias do crime e o impacto causado à família do policial. O magistrado destacou que o militar foi morto diante dos próprios filhos, de 3 e 6 anos, após ser atingido por diversos disparos.

A decisão judicial reforçou a gravidade do caso e as consequências sociais e familiares provocadas pelo assassinato, considerado um dos episódios mais marcantes de violência envolvendo o tráfico na região nos últimos anos.

Casos como este voltam a expor a complexidade da violência na Baixada Fluminense e o impacto direto que o confronto entre criminosos e forças de segurança provoca na vida de moradores da região.

Limpatech