Chefe da milícia da Muzema e Rio das Pedras é preso na Freguesia

A Polícia Civil prendeu Fabrício Ferreira Godoi, apontado como chefe da milícia que atua na Muzema e em Rio das Pedras, nesta segunda-feira (6). O acusado foi localizado em um apartamento de luxo na Freguesia, Zona Oeste do Rio, em cumprimento a um mandado de prisão por organização criminosa.

A captura foi realizada por agentes da 21ª DP (Bonsucesso) durante a Operação Nacional de Captura. De acordo com as investigações, Fabrício é apontado como ex-braço direito de Marcus Vinicius Reis dos Santos, conhecido como ‘Fininho’, uma das principais lideranças do grupo paramilitar na região. A estrutura sob o comando do suspeito mantinha ligações diretas com grupos de outras áreas da Zona Oeste, como a comunidade do Campinho.

Prisão de chefe da milícia altera o cenário de segurança na Zona Oeste

A ação policial ocorreu no início da manhã, quando os investigadores cercaram o prédio residencial na Freguesia onde o acusado estava escondido. A Polícia Civil informou que não houve troca de tiros no momento da abordagem. Fabrício foi levado para a sede da delegacia em Bonsucesso e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça do Rio de Janeiro.

A investigação que levou ao paradeiro do suspeito aponta que o grupo atuava na cobrança de taxas ilegais de moradores e comerciantes, no controle do transporte alternativo e no parcelamento irregular do solo urbano. Com a queda de uma das lideranças, as forças de segurança monitoram a movimentação de outros integrantes para evitar disputas de território entre grupos rivais nas comunidades vizinhas.

Como fica a rotina das comunidades atingidas

Para quem mora ou trabalha na Muzema, em Rio das Pedras e na Freguesia, o dia a dia segue sob acompanhamento das forças policiais. Apesar da prisão de um dos chefes do grupo, as vias de acesso às comunidades permanecem abertas e o comércio local funciona sem interrupções oficiais. As linhas de ônibus e as vans que circulam ligando a Freguesia à Barra da Tijuca e Jacarepaguá operam dentro da normalidade até o momento.

A Polícia Militar informou que pode reforçar o policiamento ostensivo nos acessos da Muzema e de Rio das Pedras nos próximos dias. O objetivo da medida preventiva é evitar retaliações, conflitos por disputa de poder ou a tentativa de imposição de toque de recolher por parte de outros criminosos. A orientação para os moradores e trabalhadores da região é manter a rotina com atenção e buscar informações por canais oficiais.

O histórico de investigações da Polícia Civil

A estrutura dessa milícia já vinha sendo mapeada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO). Em 2022, uma reunião do grupo criminoso foi interceptada pelos policiais, resultando na prisão de diversos integrantes. Naquela ocasião, agentes prenderam Bruno Rodrigues Guarany de Carvalho, o ‘Skank’, ex-policial militar apontado como chefe da Muzema, e André Silva Loback, ligado aos paramilitares do Morro do Fubá, no Campinho.

Naquela operação anterior, as equipes apreenderam armas de fogo, carregadores, munições, aparelhos celulares, uma motocicleta e dinheiro em espécie. A investigação da Polícia Civil revelou que ‘Skank’ já havia sido detido em 2018 por atuar no Campinho e, depois, migrou para o comando da comunidade vizinha. Essas alianças demonstram como os grupos paramilitares da Zona Oeste articulam trocas de comando e controle de territórios vizinhos.

Quem responde pela investigação

A prisão de Fabrício Ferreira Godoi foi coordenada pelos agentes da 21ª DP (Bonsucesso), sob o contexto da Operação Nacional de Captura. O processo criminal corre na Justiça do Estado do Rio de Janeiro, e o mandado cumprido era de caráter condenatório pelo crime previsto na Lei de Organização Criminosa (Lei 12.850/2013). A defesa do acusado não foi localizada pela reportagem, mas o espaço permanece aberto para manifestação oficial dos advogados.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ressaltou que o inquérito não se encerra com esta prisão. As diligências continuam para identificar outros integrantes da rede de extorsão e lavagem de dinheiro operada pelo grupo na Zona Oeste. A corporação apura a participação do preso em homicídios e na grilagem de terras na região da Muzema e de Rio das Pedras.

Como denunciar atividades criminosas

Quem tiver informações sobre o paradeiro de outros procurados ou sobre a atuação de grupos armados na Zona Oeste pode ajudar o trabalho da polícia de forma totalmente segura. As denúncias podem ser feitas diretamente ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, com garantia de sigilo absoluto do denunciante.

Também é possível repassar informações pelo aplicativo ‘Disque Denúncia RJ’ ou pelo site oficial do serviço. Caso o morador presencie um crime em andamento, confronto armado ou situação de emergência, a recomendação é acionar imediatamente a Polícia Militar por meio do telefone 190. O apoio da população com relatos precisos é fundamental para o avanço das operações policiais na Baixada e na capital.

O que fazer se você for vítima de extorsão

Moradores ou comerciantes da Muzema, Rio das Pedras ou Freguesia que forem cobrados indevidamente ou sofrerem ameaças da milícia devem registrar a ocorrência. O boletim pode ser feito presencialmente em qualquer delegacia do Estado do Rio de Janeiro, como a 16ª DP (Barra da Tijuca) ou a 32ª DP (Taquara), que atendem a região. Leve documentos pessoais e, se houver, comprovantes de cobrança, mensagens ou detalhes dos suspeitos.

Para crimes de extorsão sem violência física direta, a Polícia Civil disponibiliza a Delegacia Eletrônica por meio do portal oficial na internet. O registro online tem a mesma validade do documento feito no balcão e gera um número de protocolo para acompanhar a apuração. A polícia reforça que o registro formal das ocorrências ajuda a mapear os locais exatos de atuação dos criminosos e direcionar as operações da corporação.

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