O Centrão, conhecido por sua habilidade em negociar cargos e emendas no Congresso, tem demonstrado uma marca curiosa em disputas presidenciais: a de ‘pé-frio’. Em diversas eleições, as siglas que compõem este bloco apostaram em candidatos que acabaram derrotados, acumulando um histórico de previsões equivocadas.
A recente eleição de 2022, onde o presidente Lula (PT) saiu vitorioso, reforça essa fama. Partidos como PP, Republicanos e União Brasil, que declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, viram seu candidato ser superado. O PSD, embora tenha se mantido neutro, viu seu candidato derrotado na primeira etapa, Ronaldo Caiado, apoiar Flávio. Até mesmo alas do MDB se alinharam ao bolsonarista.
Essa postura de apostar em candidatos derrotados, no entanto, não é nova. Em 2018, a maioria das siglas do Centrão apostou em Geraldo Alckmin (PSDB), que não foi eleito. O MDB, por sua vez, lançou Henrique Meirelles como candidato próprio. Em 2022, PP e Republicanos apoiaram a reeleição de Jair Bolsonaro, enquanto MDB e União Brasil apresentaram Simone Tebet e Soraya Thronicke, respectivamente. Conforme informação divulgada pela Coluna Igor Gadelha, nenhum desses partidos apoiou Lula formalmente.
A Estratégia do Centrão em 2026
Para as eleições de 2026, as legendas do Centrão adotaram uma postura de neutralidade no primeiro turno, diante de projeções de uma disputa acirrada. Contudo, no segundo turno, a maioria se alinhou a Flávio Bolsonaro, que acabou derrotado. PP, Republicanos e União Brasil manifestaram apoio ao candidato do PL após o resultado inicial.
O PSD manteve-se neutro, mas Ronaldo Caiado, que representou a legenda na primeira fase da eleição e não avançou, deu seu apoio ao bolsonarista. Setores importantes do MDB também se posicionaram em favor de Flávio Bolsonaro, evidenciando a complexidade das alianças dentro do bloco.
A Busca por Espaço no Governo Lula
Com a vitória de Lula, os caciques do Centrão não estiveram presentes no palanque da celebração. Entretanto, a expectativa é que essas legendas busquem negociar sua participação no futuro governo. Lula, em sua estratégia de governabilidade, tende a ceder a essas demandas, garantindo apoio no Congresso em troca de posições.
O histórico de apostas em candidatos derrotados não impede que o Centrão continue a ser um ator fundamental na política brasileira. Sua capacidade de articulação e negociação no Legislativo o torna indispensável para a aprovação de pautas e para a manutenção da estabilidade governamental.
O Ciclo de Derrotas Presidenciais
A fama de ‘pé-frio’ do Centrão em eleições presidenciais se consolida a cada pleito. Desde 2018, o bloco tem apostado majoritariamente em nomes que não alcançam a vitória no Palácio do Planalto. Essa estratégia, embora muitas vezes criticada, reflete a lógica fisiológica de muitos desses partidos, que buscam protagonismo e benefícios independentemente do vencedor.
Apesar das derrotas em disputas presidenciais, a força do Centrão reside em sua capacidade de controle do Congresso Nacional. Essa base sólida permite que os partidos negociem vantagens e cargos, garantindo sua relevância no cenário político, mesmo quando seus candidatos presidenciais não são eleitos.













