Celulares em BH: Centro e Savassi lideram roubos e furtos; entenda a queda nos crimes e os ‘hot points’

Belo Horizonte: Bairros mais visados para roubos e furtos de celulares e a queda nos registros

Os bairros Centro, Savassi, São José e Floresta são os que concentram o maior número de roubos e furtos de celulares em Belo Horizonte. Essa é uma realidade preocupante para os moradores e frequentadores da capital mineira, que, apesar de uma queda significativa nos registros recentes, ainda se veem expostos a essa criminalidade.

Apesar do volume expressivo de ocorrências, os dados revelam uma tendência de diminuição nos últimos anos. Em 2023, a cidade registrou 25.232 casos. Esse número caiu para 22.821 em 2024 e para 20.096 em 2025, representando uma redução de 5.136 ocorrências em dois anos.

A tendência de queda se manteve no primeiro semestre de 2026, com 8.457 casos registrados, uma diminuição de 25,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essas informações foram obtidas pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação, junto à Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp).

Entendendo a diferença entre furto e roubo de celulares

Para compreender as estatísticas, é fundamental diferenciar furto de roubo. Segundo o pesquisador em Segurança Pública Jorge Tassi, o furto de celular ocorre quando um aparelho é levado sem o uso de violência ou ameaça, muitas vezes aproveitando um momento de distração da vítima.

Já o roubo de celular envolve ação mais direta, com ameaça, violência ou alguma manobra que impeça a vítima de reagir, como no caso de abordagens agressivas ou uso de substâncias. Os furtos representam a maior parte das ocorrências, com 16.744 registros em 2025, enquanto os roubos somaram 3.352 no mesmo ano.

Fatores que explicam a redução nos roubos e furtos de celulares

Especialistas apontam diversos fatores para a diminuição nos casos de roubos e furtos de celulares em Belo Horizonte. Um dos motivos é a saturação do mercado de aparelhos, que reduz o valor de revenda e torna o crime menos rentável para organizações criminosas, conforme explica Jorge Tassi.

Outro ponto levantado é a possibilidade de subnotificação, ou seja, nem todos os casos chegam a ser registrados oficialmente. O pesquisador Tassi sugere que a percepção de ineficácia na investigação pode levar as vítimas a não procurar as autoridades, resultando em estatísticas falhas.

O sociólogo e especialista em segurança pública Luís Flávio Sapori adiciona que o aplicativo Celular Seguro, do governo federal, pode estar contribuindo para a queda. Ao permitir o bloqueio rápido de aparelhos roubados ou furtados, o dispositivo diminui o valor e a utilidade desses itens no mercado ilegal, desestimulando a ação criminosa.

Os “hot points” de roubos e furtos de celulares em BH

Apesar da redução geral, Belo Horizonte ainda possui “hot points”, locais com maior concentração de roubos e furtos de celulares. O Centro lidera disparado esses registros, seguido por bairros como Savassi, São Luiz e Floresta. Esses locais, geralmente com grande fluxo de pessoas e comércio intenso, oferecem mais oportunidades para os criminosos.

Jorge Tassi explica que a alta circulação de pessoas e a ausência de policiamento ostensivo a pé em áreas comerciais contribuem para a concentração de crimes nesses bairros. A atenção redobrada em locais movimentados é, portanto, um fator crucial de prevenção, pois os crimes de oportunidade são os mais comuns.

Luís Flávio Sapori concorda que bairros comerciais são naturalmente mais visados devido ao grande número de potenciais vítimas. Contudo, ele alerta que o fenômeno não deve ser ignorado em áreas residenciais, onde ocorrências também acontecem, especialmente em pontos de ônibus e durante deslocamentos a pé, muitas vezes cometidos por criminosos em motocicletas.

O mercado ilegal de celulares e a motivação dos criminosos

Apesar da popularização, celulares ainda possuem valor no mercado ilegal, seja para revenda do aparelho inteiro ou de suas peças. Essa demanda alimenta uma cadeia criminosa, onde a receptação é o crime-fim, sustentado pelos roubos e furtos, como explica Jorge Tassi.

Essa atividade pode estar ligada a organizações criminosas maiores, que utilizam os lucros para lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. No entanto, Sapori ressalta que, em Belo Horizonte, não há indícios de conexão direta entre roubos de celulares e o tráfico de drogas.

Quanto ao perfil dos criminosos, não há um padrão único. O consumo de drogas e a necessidade de dinheiro para sustentar o vício são apontados como motivações frequentes. A ação é geralmente continuada e coordenada, com divisão de espaços e certa “profissionalização” na captação dos aparelhos pelos receptadores.

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