CBF apresenta novo modelo de fair play financeiro para clubes do Brasil

Diretor da CBF Academy

A CBF anunciou, nesta quarta-feira (26), durante o Summit CBF Academy, em São Paulo, o novo modelo brasileiro de fair play financeiro, oficialmente chamado de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A proposta estabelece uma série de regras para equilibrar as contas dos clubes, com foco em controle de dívidas, limites de gastos com elenco, equilíbrio operacional e redução do endividamento de curto prazo.

Inspirado em modelos adotados por ligas como Premier League, Ligue 1, La Liga e UEFA, o sistema terá adaptações ao cenário nacional. A principal diferença é a ausência de teto para aportes de capital — uma medida pensada para não travar o crescimento das SAFs e a entrada de investidores estrangeiros no país. Assim, os clubes poderão receber investimentos sem limite, desde que cumpram as obrigações financeiras previstas no regulamento.

O novo modelo será monitorado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão recém-criado com especialistas independentes que farão auditoria e fiscalização. Entre os nomes da agência estão Caio Cordeiro de Resende, Cesar Grafietti, Marcelo Doval Mendes, Pedro Henrique Martins de Araújo Filho, Vantuil Gonçalves Junior, Igor Mauler Santiago e José Fausto Moreira Filho.

Regras e prazos

O sistema entrará em vigor de forma gradual a partir de 2026. Dívidas anteriores ao ano deverão ser regularizadas até 30 de novembro de 2026. Já os débitos assumidos a partir de 1º de janeiro de 2026 serão automaticamente submetidos às novas regras.

A CBF fará três auditorias anuais: 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro. Jogadores e clubes poderão denunciar atrasos salariais diretamente ao órgão regulador, e todas as transferências precisarão ser registradas em tempo real no DTMS, o sistema nacional de transferências.

Equilíbrio financeiro

Uma das principais exigências é que os clubes encerrem cada temporada com superávit operacional. A avaliação será trienal: caso haja déficit em um ano, o clube entra em monitoramento, e a análise passa a considerar o resultado dos três últimos exercícios.

Na Série A, o déficit máximo permitido será de R$ 30 milhões ou 2,5% da receita; na Série B, até R$ 10 milhões ou 2,5% da receita. Gastos com categorias de base, futebol feminino, infraestrutura e projetos sociais não entram na conta.

O cumprimento total das regras começará em 2028, com os anos de 2026 e 2027 funcionando como período de transição.

Limite de gastos com elenco

O custo do elenco — salários, encargos, direitos de imagem e amortizações — deverá ser igual ou inferior a 70% da soma das receitas, transferências e aportes. Em 2028, o limite poderá chegar a 80% nas Séries A e B; a partir de 2029, a Série A volta ao teto de 70%, enquanto a Série B permanece com 80%.

Dívidas de curto prazo

O endividamento líquido de curto prazo não poderá ultrapassar 45% das receitas relevantes. Entre 2028 e 2030 haverá uma transição, com limites intermediários de 60% (2028) e 50% (2029), até chegar ao valor definitivo em 2030.

Insolvência e recuperação judicial

Casos de recuperação judicial serão tratados com rigor: a partir de 30 de abril de 2026, clubes nessa condição poderão ter a folha salarial congelada, ficar proibidos de contratar e precisarão apresentar acordo de reestruturação financeira compatível com o SSF.

As demonstrações financeiras precisarão ser entregues até 30 de abril e auditadas por empresas registradas na CVM. Também será proibido que um investidor tenha influência significativa sobre dois clubes na mesma competição da CBF.

Para clubes da Série C, haverá um modelo simplificado, com exigência de balanços auditados e monitoramento de dívidas vencidas.

Com isso, a CBF inicia uma das maiores reformas estruturais do futebol brasileiro, buscando modernizar a gestão financeira e aproximar o país das práticas internacionais.

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