O cardeal do Rio, Dom Orani João Tempesta, retornou ao Brasil nesta quarta-feira (14) após participar pela primeira vez de um conclave no Vaticano. O encontro histórico resultou na eleição de Robert Francis Prevost como Papa Leão XIV. Em conversa com a imprensa, Dom Orani compartilhou detalhes curiosos dos bastidores e destacou a importância do momento para sua trajetória religiosa.
Para garantir o sigilo absoluto durante o processo de votação, os cardeais tiveram que entregar celulares, relógios inteligentes e qualquer dispositivo com acesso à internet. Esses aparelhos foram lacrados e só foram devolvidos após o encerramento da votação. “Tinha cardeal sem relógio ou celular para poder saber que horas levantar ou almoçar. Muita gente saiu para procurar relógio analógico ou despertador”, contou Dom Orani, ressaltando que os sinais de internet também estavam bloqueados durante o conclave.
Segundo o cardeal do Rio, a escolha do novo Pontífice foi guiada pelo Espírito Santo, descartando qualquer articulação política nos bastidores. “É a ação do Espírito Santo que vai conduzindo a Igreja. E vimos pela repercussão como é bem aceito o Papa Leão XIV”, afirmou, acrescentando com bom humor que quem apostou em outro nome acabou perdendo dinheiro nas bolsas de apostas.
Dom Orani também revelou que seu primeiro encontro com o Papa Leão XIV após a eleição aconteceu em uma agenda privada, na última segunda-feira. Na ocasião, explicou ao novo Pontífice que não poderá comparecer à cerimônia de apresentação oficial marcada para o próximo domingo, devido a compromissos no Rio de Janeiro, incluindo a ordenação de novos bispos.
Sobre a possibilidade de uma visita do Papa Leão XIV ao Brasil, o cardeal do Rio comentou que ainda não há nenhuma confirmação oficial. Segundo ele, é provável que o novo Papa siga, inicialmente, a agenda prevista para seu antecessor, o Papa Francisco. Uma das hipóteses consideradas seria a presença do Pontífice na COP 30, conferência internacional sobre mudanças climáticas marcada para novembro de 2025, em Belém (PA).
Apesar do desejo de trazer o Papa ao Rio, Dom Orani reconhece que seria necessário um motivo especial para viabilizar a visita. “Pensei nos festejos de 450 anos da Arquidiocese do Rio, que vão de julho deste ano até novembro do ano que vem, mas não sei se isso seria suficiente para atrair o Pontífice à cidade”, comentou.
A experiência de participar do conclave foi considerada marcante por Dom Orani, não apenas pela solenidade do rito, mas também pela convivência com os demais cardeais e o ambiente de profunda espiritualidade. Ele destacou que momentos como esse reforçam o compromisso com a missão pastoral e com o futuro da Igreja.
Com o retorno ao Rio de Janeiro, o cardeal do Rio retoma suas funções com uma bagagem espiritual renovada. A ordenação dos novos bispos e os eventos comemorativos da Arquidiocese já ocupam sua agenda, ao mesmo tempo em que mantém o olhar atento às movimentações do novo papado.














