Capivara espancada na Ilha do Governador foi devolvida à natureza nesta quarta-feira (20), após passar cerca de dois meses em tratamento veterinário especializado. O animal havia sido atacado por um grupo de homens em março, na Zona Norte do Rio, e desde então estava sob cuidados de equipes ambientais e de reabilitação de fauna silvestre.
A soltura aconteceu em uma reserva ecológica em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da capital. O local foi escolhido por oferecer mais segurança ao animal, com pouca circulação de veículos e menor presença constante de pessoas.
Desde o resgate, a capivara vinha sendo acompanhada pela Patrulha Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, o Cras, da Estácio Vargem Pequena.
A recuperação contou com o trabalho do veterinário Jeferson Pires e de uma equipe formada por médicos veterinários, biólogos e estudantes especializados em fauna silvestre. Segundo os profissionais, o animal chegou em estado grave, mas conseguiu recuperar condições para retornar à vida livre.
“Ela chegou em um estado grave, com um traumatismo craniano e uma lesão ocular grave. A gente conseguiu fazer uma recuperação completa. Infelizmente, o olho não foi possível salvar por causa de uma lesão grave na retina, que impediu que ela voltasse a enxergar. Mesmo assim, ela consegue retornar à vida livre”, explicou o veterinário Jeferson Pires ao jornal O Dia.
Apesar da recuperação, a capivara perdeu a visão de um dos olhos. Por isso, a equipe avaliou que ela não deveria voltar para a Ilha do Governador, onde havia risco maior de atropelamento e novos acidentes.
“Ela não poderia retornar para o mesmo local porque existe muito trânsito de veículos e ela poderia ser atropelada justamente do lado que não enxerga. Então escolhemos uma área isolada, uma reserva sem circulação significativa de carros e sem presença constante de pessoas, para que ela tenha condições de viver de forma plena”, afirmou Jeferson Pires ao jornal O Dia.
O caso ganhou grande repercussão depois que câmeras de segurança registraram o ataque. As imagens mostraram a capivara sendo perseguida por homens armados com pedaços de madeira na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, durante a madrugada de 21 de março.
No vídeo, o animal aparece caminhando pela rua antes de tentar fugir. Em seguida, é cercado e atacado repetidas vezes até cair no chão. Após as agressões, os suspeitos fugiram do local.
Moradores da região relataram que a capivara fazia parte de uma família de animais que circulava havia anos pela Ilha do Governador. Segundo eles, os animais eram conhecidos por conviver de forma pacífica com a comunidade local.
Na manhã seguinte ao ataque, a capivara ainda foi vista ferida pelas ruas do bairro. Depois, se abrigou em um terreno baldio, onde foi localizada pela Patrulha Ambiental.
O animal foi contido e encaminhado para atendimento veterinário emergencial. A partir daí, iniciou um processo de recuperação acompanhado por especialistas até receber autorização para voltar à natureza.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente identificou os envolvidos poucas horas após o crime. Seis adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos.
Após a conversão das prisões em flagrante em preventivas, Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo foram denunciados pelo Ministério Público.
Eles respondem por crime ambiental e maus-tratos com emprego de crueldade, caça ilegal, corrupção de menores e associação criminosa. Já os adolescentes foram internados e respondem por atos infracionais análogos.
A devolução da capivara à natureza marca uma nova etapa para o animal, que sobreviveu ao ataque e agora terá a chance de viver em um ambiente mais seguro, longe da área onde foi agredido.














