Vendaval no Rio: Metrô mais caro do país vira palco de caos e desespero com tarifa de R$ 7,90; passageiros relatam sufoco

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Vendaval expõe caos e descaso no MetrôRio, o mais caro do país, com tarifa de R$ 7,90; veja relatos

O forte vendaval que atingiu a cidade do Rio de Janeiro na quarta-feira (29) expôs um cenário de caos e descaso no sistema de MetrôRio. Mesmo cobrando a tarifa mais alta do país, de R$ 7,90, a concessionária deixou milhares de passageiros à deriva no horário de maior movimento.

As interrupções nas três linhas do metrô transformaram estações e trens em locais de desespero. Usuários ficaram presos em vagões, enfrentando calor intenso, falta de comunicação e longas horas de espera. Muitos recorreram às redes sociais para expressar seu descontentamento e cobrar explicações.

A situação de emergência se agravou com relatos de pessoas passando mal, incluindo quedas de pressão, crises de ansiedade e pânico. Em um dos episódios mais chocantes, passageiros precisaram quebrar o vidro de um vagão com um extintor para tentar ventilar o ambiente, após mais de uma hora de trem parado.

Passageiros relatam sufoco e improviso em vagões parados

Um dos incidentes mais alarmantes ocorreu em um trem parado perto da estação Maria da Graça, na Zona Norte. Após mais de uma hora sem movimentação, com passageiros relatando falta de ar e uma idosa passando mal, dois homens usaram um extintor para quebrar o vidro de uma janela. A ação visava melhorar a circulação de ar no vagão lotado.

Outros relatos dão conta de passageiros com queda de pressão, crises de ansiedade e pânico dentro das composições. Em alguns casos, a situação foi tão crítica que trens precisaram ser evacuados, com pessoas sendo vistas caminhando pelos trilhos em busca de segurança até as plataformas.

A dificuldade não se limitou aos vagões. Do lado de fora, a paralisação do metrô se somou à suspensão de trens e VLT, à superlotação de pontos de ônibus e aos preços elevados dos aplicativos de transporte. Milhares de passageiros ficaram retidos no Centro e em outras regiões da cidade por horas, aguardando a normalização dos serviços.

Caos na volta para casa: “Uma verdadeira lata de sardinha”

Taione Oliveira, morador de Brás de Pina, na Zona Norte, relatou sua difícil jornada de volta para casa. Saiu do trabalho no Centro por volta das 18h e, com metrô, trens e VLTs paralisados, precisou se abrigar em um prédio até perto das 22h para conseguir retornar. Ao embarcar em um metrô da Linha 2, descreveu o cenário como “uma verdadeira lata de sardinha”, com todos sofrendo com a superlotação.

O jornalista Marco Sá também enfrentou o caos. Deixou o trabalho no Centro durante a ventania e encontrou a estação Carioca abarrotada e a circulação interrompida. Após se abrigar no Edifício Avenida Central, caminhou até a Cinelândia. Por volta das 19h, ao entrar na estação, viu muitos passageiros sentados no chão, alguns com crises de ansiedade. A chegada das primeiras composições foi recebida com aplausos, mas os trens já chegavam lotados, dificultando o embarque.

“Tinha muita gente sentada no chão, gente chorando, com ansiedade. Foi uma coisa muito perturbadora de ver”, contou Sá. Ele descreveu o embarque como tenso, com passageiros disputando os poucos espaços nos vagões.

MetrôRio atribui paralisação a falha de energia e divulga horários de normalização

O MetrôRio atribuiu a paralisação a uma falha no fornecimento de energia elétrica que afetou parte da cidade, confirmando que algumas composições ficaram paradas nas vias. A operação foi interrompida às 16h37.

As linhas 1 e 4 foram normalizadas às 17h38. No entanto, a Linha 2, principal ligação da Zona Norte, só voltou a operar às 18h54, mais de duas horas após a interrupção inicial e uma hora e 16 minutos depois das outras linhas. A concessionária informou que equipes operacionais foram mobilizadas para prestar suporte aos usuários.

Em nota, o MetrôRio declarou que o Comitê de Crise e os protocolos de emergência foram acionados para análise técnica e restabelecimento da operação. A empresa informou ter registrado 576 mil embarques no dia do vendaval, contra 653 mil na semana anterior. Questionada sobre falta de informações e compensações, a concessionária não respondeu especificamente.

Metrô do Rio ostenta a passagem mais cara do Brasil, com tarifa de R$ 7,90

O transtorno ocorreu em um sistema que, segundo apuração, cobra a tarifa mais alta do país. A passagem comum do MetrôRio custa R$ 7,90, sendo que o valor homologado para este ano chegou a R$ 8,20. Em comparação, a tarifa em São Paulo é de R$ 5,40, Brasília R$ 5,50, Porto Alegre R$ 5 e Recife R$ 4,25.

A reportagem questionou o MetrôRio sobre o número de passageiros afetados, medidas de assistência e compensações, mas não obteve resposta até a publicação.

Vendaval também paralisou trens e causou estragos por todo o estado

O vendaval também afetou todos os ramais da TrensRJ. O ramal Japeri foi o mais atingido devido à queda de postes e árvores. Os ramais Saracuruna, Belford Roxo, Santa Cruz e Deodoro foram normalizados ainda no horário comercial.

Viagens extras foram realizadas entre a Central do Brasil e Nova Iguaçu para atender passageiros. Nesta manhã, o ramal Saracuruna ainda apresentava restrições. O vendaval deixou três mortos e mais de 500 mil imóveis sem luz em todo o estado, com rajadas ultrapassando os 100 km/h.

A Light informou que cerca de 324 mil clientes estavam sem energia na manhã desta quinta-feira, com bairros como Campo Grande e Tijuca entre os mais afetados. A concessionária Enel reportou 142 mil imóveis sem fornecimento, especialmente na região sul do estado.

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