Cão de Assistência: Advogada de 59 Anos Supera Depressão Profunda com Ajuda Inesperada de Filhote Treinado

Advogada encontra em cão de assistência um aliado crucial contra a depressão profunda, retomando sua vida com apoio canino.

Chegar em casa e ser recebido com alegria por um pet pode mudar o dia de qualquer pessoa. Para Mariella Mendes Tedde, advogada de 59 anos, essa interação se tornou um pilar fundamental em sua batalha contra a depressão.

A doença, que a acompanha há mais de uma década, chegou a um ponto crítico, limitando sua energia e a vontade de viver, a ponto de não conseguir sair da cama. Em busca de novas formas de apoio, Mariella descobriu o potencial de um cão de assistência.

O filhote Luca, um Australian Cobberdog de sete meses, não é apenas um animal de estimação, mas sim uma parceria terapêutica. Conforme divulgado pelo Metrópoles, o treinamento do animal, iniciado há três meses, visa auxiliá-la a sair do isolamento e retomar suas atividades diárias, sendo este um processo que deve durar cerca de dois anos.

A Escolha do Companheiro Terapêutico Ideal

A raça Australian Cobberdog foi escolhida por suas características ideais para cães de assistência, como temperamento estável, facilidade de aprendizado e forte disposição para interação. Desde cedo, Luca demonstrou atenção constante, sensibilidade ao ambiente e uma conexão rápida com Mariella, facilitando o início do treinamento.

O treinamento, conduzido pelo adestrador Glauco Lima, com mais de 30 anos de experiência, vai além de comandos básicos. O objetivo é preparar Luca para responder às necessidades específicas de Mariella e a diferentes situações do cotidiano, construindo uma relação de confiança mútua.

Transformação na Rotina e Bem-Estar

A presença de Luca tem reorganizado gradualmente a rotina de Mariella. Compromissos e atividades que antes eram evitadas, como sair para cafés e padarias, agora fazem parte do seu dia a dia. Ela relata ter voltado a dirigir e viajar com o cão, sentindo um compromisso renovado com a vida cotidiana.

“O Luca precisa de mim e eu preciso dele”, afirma Mariella, destacando a simbiose criada. A advogada descreve que a depressão “minava minha energia e minha vontade de viver”, mas com Luca, ela sente que “aos poucos, fui voltando a viver”.

Como Funciona o Apoio de um Cão de Assistência

Um cão de assistência não substitui o tratamento médico para depressão, mas atua como um suporte diário. Ele pode ser treinado para interromper episódios de isolamento, incentivar a pessoa a sair da cama, lembrar de tomar medicação e oferecer conforto em momentos de ansiedade.

O processo de treinamento é individualizado. Uma avaliação detalhada identifica as necessidades do tutor e as tarefas que o animal deve aprender. “Não é simplesmente escolher uma raça e ensinar comandos. Primeiro, é preciso entender quais são as dificuldades daquela pessoa e como o cão pode ajudar a aumentar a autonomia e a segurança dela”, explica o adestrador Glauco Lima.

Desafios e Oportunidades no Brasil

Apesar dos benefícios evidentes, o acesso a cães de assistência no Brasil ainda enfrenta desafios, como a falta de profissionais especializados e a pouca informação sobre o tema. Iniciativas como a da Service Dogs Brasil buscam orientar e avaliar casos para direcionar o treinamento mais adequado.

Para Mariella, o processo, ainda em andamento, já representa uma “solução real”, permitindo que ela retome as rédeas de sua vida com a companhia fiel de Luca. A história reforça o impacto positivo que o vínculo com animais treinados pode ter na saúde mental.

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