Após mais de sete décadas longe de seu lugar de origem, o canhão histórico Cabo Frio voltou oficialmente à cidade. O artefato, que simboliza parte do passado militar e da formação urbana do município, foi repatriado nesta semana em uma operação articulada pela Prefeitura, com apoio técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O canhão foi retirado da Praia do Forte em 1953, durante uma excursão escolar de alunos do Colégio Nova Friburgo (CNF), então vinculado à Fundação Getúlio Vargas. A ação, conduzida com apoio do professor Guedes e do motorista que acompanhava o grupo, resultou na remoção do objeto histórico, que acabou exposto por décadas no jardim do colégio, sobre um pedestal de granito.
Com o encerramento das atividades do CNF em 1977, o artefato foi transferido para o Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea. Depois de um período na capital, o canhão retornou a Nova Friburgo com a reabertura do colégio. Desde então, historiadores e autoridades de Cabo Frio reivindicavam a devolução do item como parte do patrimônio histórico do município.
Em 2025, uma vistoria do IPHAN constatou o estado de degradação da peça e recomendou a sua devolução, além de um processo de restauração. A operação de transporte levou quase 12 horas e foi finalizada na sede da Companhia de Serviços de Cabo Frio (Comsercaf), onde o canhão permanecerá sob cuidados técnicos antes de ser reinstalado em espaço público.
A repatriação do canhão foi definida como prioridade pela atual gestão municipal, liderada pelo prefeito Dr. Serginho e pelo vice-prefeito Miguel Alencar. Para a equipe responsável pelo resgate, o retorno do objeto representa não apenas a devolução de uma peça histórica, mas também um gesto de valorização da memória cabo-friense.
“Esse canhão faz parte da história do nosso povo. Ele viu o tempo passar e foi testemunha de acontecimentos importantes da nossa cidade. Trazer esse patrimônio de volta é um compromisso com a preservação da nossa identidade e um gesto de respeito à nossa cultura. Estamos trabalhando para que Cabo Frio valorize cada vez mais sua história, e essa repatriação é um marco simbólico e emocional para todos nós”, afirmou o vice-prefeito Miguel Alencar, em depoimento à Prefeitura.
Documentos do IPHAN mostram que o artefato tem grande valor simbólico, sendo testemunha da presença militar no litoral fluminense e integrante do sistema defensivo instalado durante o período colonial. A própria localização original do canhão, nas areias da Praia do Forte, reforçava sua função estratégica e simbólica no contexto histórico da cidade.
A devolução é fruto de articulações entre o poder público municipal, técnicos do IPHAN e representantes de instituições envolvidas no passado da peça. A ação também responde a uma antiga demanda de moradores, estudiosos e lideranças culturais que sempre viram no canhão um marco da identidade de Cabo Frio.
Na quinta-feira (8), a Prefeitura realizará um evento especial para oficializar o retorno do canhão. A cerimônia celebrará não só a chegada do artefato, mas também a preservação do patrimônio e o fortalecimento da história local. A expectativa é que o item, após restauração, seja exposto ao público em espaço de destaque.
O gesto representa um compromisso com o passado e uma sinalização para o futuro. O canhão é símbolo de resistência, memória e pertencimento, e sua repatriação reforça o papel da cultura como pilar da identidade cabo-friense.














