Brasil preparam resposta aos EUA após revogação de visto de embaixadora e deve adotar reciprocidade
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos escalou após a decisão do governo americano de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O Palácio do Planalto, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que o princípio da reciprocidade será adotado como resposta à medida anunciada pela administração do presidente Donald Trump.
A estratégia de reação brasileira será formalizada em uma reunião ministerial nesta quarta-feira (5). Participantes da área diplomática e do Planalto discutirão as possíveis contramedidas, que podem incluir uma ação equivalente na política de vistos ou outra providência considerada proporcional ao gesto dos EUA.
Apesar do impacto político e diplomático da revogação do visto, a avaliação interna do governo brasileiro é que os efeitos práticos para a atuação da embaixadora são limitados. Maria Luiza Ribeiro Viotti continua exercendo suas funções em Washington, mas não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o território com o visto cancelado.
Justificativas americanas e impasse diplomático
Conforme informações divulgadas pelo portal g1, o Departamento de Estado dos Estados Unidos justificou a revogação do visto ao atraso das autoridades brasileiras em conceder o agrément, a autorização diplomática necessária, ao indicado americano Daniel Perez para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília.
Este impasse ocorre em um momento de representação diplomática incompleta entre os dois países. Atualmente, os Estados Unidos não possuem um embaixador em exercício no Brasil. A representação americana é conduzida pela encarregada de negócios interina em Brasília, Kimberly Kelly, que, embora exerça funções diplomáticas, não possui o mesmo status institucional de um embaixador.
A ausência de um embaixador americano credenciado no Brasil dificulta a adoção de uma resposta simétrica imediata por parte do governo brasileiro, uma vez que não há um alvo direto para uma medida equivalente na política de vistos.
Governo brasileiro aponta motivação política na decisão dos EUA
Nos bastidores do governo federal, a percepção é que a iniciativa da Casa Branca transcende uma divergência burocrática, possuindo um forte componente político. Fontes do governo brasileiro indicam que a decisão dos Estados Unidos tem um “tom eleitoral”, o que reforçou a necessidade de uma reação formal para evitar a interpretação de aceitação passiva da medida.
A discussão interna no governo brasileiro abrange se a reciprocidade se dará estritamente na política de vistos ou se outra medida de gravidade equivalente no campo das relações diplomáticas será adotada.
Nota oficial do Brasil contesta justificativas dos EUA
Na noite de terça-feira (4), o governo brasileiro emitiu uma nota oficial contestando as razões apresentadas pelos Estados Unidos para a revogação do visto da embaixadora. O Palácio do Planalto classificou como “falsas” as justificativas americanas, afirmando que a decisão faz parte de um conjunto de medidas “motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”.
A nota oficial brasileira busca rechaçar a versão apresentada pelos EUA e reafirma o compromisso do Brasil com relações bilaterais baseadas no respeito mútuo, sinalizando a insatisfação com o que considera uma ação ideologicamente motivada e politicamente carregada.














