Ativista que pediu prisão no Caso Nardoni relata ameaça de morte

O presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo e deputado estadual suplente, Agripino Magalhães Jr., denunciou ter sido vítima de uma ameaça de morte. A intimidação aconteceu por telefone após o ativista acionar o Ministério Público para pedir providências e o retorno dos envolvidos na morte de Isabella Nardoni à cadeia.

Segundo o relato do ativista, a ligação de número desconhecido aconteceu na tarde da última sexta-feira. Durante a chamada, o interlocutor afirmou que o corpo de Agripino seria encontrado caso ele não parasse de fazer representações legais sobre o assassinato da criança, ocorrido em 2008.

Entenda as ameaças denunciadas pelo ativista

Agripino Magalhães Jr. vem atuando publicamente para pressionar as autoridades judiciais a revisarem os benefícios concedidos aos condenados pelo crime. A recente ligação fez um alerta direto para que ele interrompa o envio de petições formais ao Ministério Público.

De acordo com o depoimento prestado pelo suplente de deputado, a voz ao telefone garantiu que o aviso era definitivo. O caso soma-se a outras intimações que o ativista afirma ter recebido ao longo de sua trajetória de militância social e política em defesas de causas públicas.

A repercussão do caso Isabella Nardoni continua mobilizando a opinião pública em todo o país. Recentemente, a própria mãe da menina voltou a se manifestar publicamente pedindo que os responsáveis cumpram a pena integralmente no regime fechado, reforçando o debate sobre a concessão de progressão de pena para crimes hediondos.

Como denunciar casos de ameaça de morte

Quem estiver passando por situações de intimidação ou perseguição deve procurar imediatamente a delegacia de Polícia Civil mais próxima para registrar um Boletim de Ocorrência. A apresentação detalhada do fato é fundamental para que os inspetores abram o inquérito policial cabível.

No Estado do Rio de Janeiro, a denúncia sobre ameaças, paradeiro de criminosos ou qualquer ato ilícito pode ser feita através do Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, durante toda a semana, garantindo o total anonimato do denunciante.

Para casos que envolvem violações de direitos humanos ou intimidações contra lideranças comunitárias e ativistas, o Governo Federal disponibiliza a central do Disque 100. O serviço e gratuito, opera diariamente e encaminha os relatórios de forma imediata para os órgãos de proteção e segurança competentes de cada estado.

O que fazer se você for vítima de intimidação

A orientação oficial das autoridades policiais para qualquer cidadão que receba chamadas com intimidações ou extorsões é interromper imediatamente a conversa e acionar a gravação de chamadas, caso o aparelho celular possua essa ferramenta nativa ou por aplicativo.

Anotar o horário exato da chamada, a duração da ligação e o número registrado na tela do aparelho ajuda diretamente a perícia investigativa. As operadoras de telefonia podem ser acionadas judicialmente para fornecer o registro de bilhetagem e identificar a origem exata do sinal emitido.

Além disso, a vítima deve reunir prints de mensagens de texto, áudios enviados em aplicativos de conversa e e-mails recebidos que comprovem o teor das intimidações. Todo esse material digital precisa ser entregue presencialmente ou anexado durante o registro do boletim na delegacia.

Como funciona o programa de proteção a defensores

Ativistas, lideranças comunitárias e defensores de direitos humanos que sofrem ameaças constantes podem solicitar inclusão em programas governamentais de proteção. No âmbito federal e estadual, esses programas oferecem escolta policial, monitoramento de rotina e, em casos extremos, a alteração temporária de endereço residencial.

Para ingressar no programa, a vítima precisa apresentar as ocorrências policiais registradas e comprovar a situação de risco iminente ligada à sua atuação pública. A avaliação da gravidade e do nível de risco é feita por um conselho gestor composto por membros do poder público e da sociedade civil.

Enquanto o pedido é analisado, as forças de segurança local costumam ser notificadas para intensificar o patrulhamento ostensivo no entorno da residência e dos locais de trabalho do cidadão ameaçado, visando prevenir qualquer tipo de ataque presencial.

O que se sabe sobre a investigação do caso

Após relatar a intimidação por telefone, o ativista busca medidas formais junto aos órgãos de imprensa e segurança para garantir sua integridade física. O objetivo e cobrar das autoridades competentes a identificação rápida do autor da chamada anônima feita na última sexta-feira.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a autoria da chamada ou sobre o local de onde o sinal foi emitido. O Ministério Público e a Polícia Civil avaliam o teor do relato para determinar os desdobramentos da apuração e a necessidade de concessão de medidas cautelares de segurança ao denunciante.

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