Aos 70 anos, morre Björn Andrésen, ator de ‘Morte em Veneza’ e símbolo de uma geração

Björn Andrésen

O ator sueco Björn Andrésen, que ficou mundialmente conhecido por interpretar o jovem Tadzio no clássico Morte em Veneza (1971), morreu no último sábado (25), aos 70 anos. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) à agência AFP por uma das diretoras do documentário que retrata sua vida e carreira.

Com apenas 15 anos, Björn foi escolhido pelo diretor italiano Luchino Visconti para dar vida ao personagem que se tornaria um ícone de beleza e melancolia no cinema europeu. No longa, o adolescente desperta a obsessão estética e emocional do compositor Aschenbach, vivido por Dirk Bogarde, em uma Veneza tomada pela decadência e pela peste.

O papel projetou Andrésen ao estrelato internacional e lhe rendeu o apelido de “o garoto mais bonito do mundo”, rótulo que o ator, anos depois, revelou ter sido tanto um fardo quanto uma bênção. A fama repentina o levou a uma carreira marcada por contrastes, entre o glamour das produções europeias e os desafios pessoais de lidar com a pressão e a objetificação.

Em entrevistas e no documentário The Most Beautiful Boy in the World (2021), dirigido por Kristina Lindström e Kristian Petri, Björn Andrésen descreveu como o sucesso precoce e a atenção excessiva da mídia influenciaram profundamente sua vida. Ele viveu períodos de isolamento e enfrentou traumas que o acompanharam por décadas.

Mesmo afastado das grandes produções, o ator manteve aparições ocasionais no cinema e na TV sueca. Seu último papel de destaque foi em Midsommar (2019), do diretor Ari Aster, em que fez uma participação simbólica que marcou seu retorno às telas e emocionou os fãs.

Björn Andrésen deixa um legado artístico singular e uma presença inesquecível na história do cinema mundial. Sua imagem, eternizada pelas lentes de Visconti, permanece como símbolo da beleza efêmera e da vulnerabilidade que marcou uma geração de espectadores e artistas.

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