Os anúncios falsos de garotas de programa eram usados por uma organização criminosa para extorquir vítimas, segundo investigações da Polícia Civil. O grupo criava perfis em sites na internet e, após o primeiro contato, iniciava uma sequência de ameaças para exigir pagamentos.
De acordo com os investigadores, o esquema fazia parte de uma prática estruturada de extorsão virtual, que levou à deflagração da Operação Atração Perigosa. Após atrair as vítimas com anúncios falsos, os suspeitos passavam a enviar mensagens e áudios com tom intimidatório.
“Mano, é o seguinte, a garota é agenciada pelo comando, entendeu? E tem milícia no meio, entendeu, mano? Inclusive a garota que você está contratando é de menor também, entendeu, mano?”, diz um dos áudios analisados na investigação.
Em outra abordagem, os criminosos cobravam valores sob a justificativa de uma suposta “taxa de cancelamento” e alegavam já ter acesso a informações pessoais das vítimas.
“A taxa de cancelar é no valor de R$ 500, mano. Você tá no prazo até amanhã. Já tem mais acesso aos seus dados, inclusive endereço de você e familiares seus também, entendeu, mano?”, afirma a gravação.
Os suspeitos também utilizavam a acusação de envolvimento com menor de idade como forma de pressionar os alvos, aumentando o medo e a urgência pelo pagamento.
“Deixa eu te falar, mano, é o seguinte: a garota é de menor, entendeu? Se você chamar a polícia, vai dar um problema maior pra você.”
O tom das ameaças se intensificava conforme o contato avançava. “Tá de brincadeira? É o Comando aqui, entendeu, mano? Tá falando com você nesse momento aí.”, diz outro trecho das mensagens.
Segundo a polícia, após pagamentos iniciais, as vítimas continuavam sendo pressionadas com novos pedidos de dinheiro. Para dificultar o rastreamento, os valores eram transferidos via Pix para contas de terceiros, conhecidas como “contas de passagem”, muitas vezes alugadas por pequenas quantias.
As investigações também apontaram o uso de múltiplos números de telefone, dados falsos e ferramentas digitais para ocultar a identidade dos envolvidos e ampliar o alcance do golpe.
A Operação Atração Perigosa foi responsável por cumprir quatro mandados judiciais, sendo três de busca e apreensão e um de prisão, na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais.
A Polícia Civil reforça que vítimas desse tipo de crime devem evitar realizar pagamentos, registrar ocorrência e guardar provas como mensagens, áudios e comprovantes, fundamentais para o avanço das investigações.
E enquanto o golpe se reinventa no ambiente digital, o alerta cresce: informação e atenção ainda são as principais armas contra esse tipo de crime.














