Moradora de Anchieta encontra acolhimento na Biblioteca A Casa Amarela durante tratamento contra o câncer

Francisca Célia Barreto Duarte

Aos 70 anos, Francisca Célia Barreto Duarte encontrou na Biblioteca A Casa Amarela um espaço de acolhimento, convivência e apoio emocional durante o tratamento contra o câncer de mama. Após passar por cirurgias e sessões de quimioterapia e radioterapia, ela encontrou no projeto social um importante apoio para recuperar a autoestima.

Era 2024 quando a vida de Francisca Célia Barreto Duarte mudou de repente. Uma consulta de rotina revelou um diagnóstico que ninguém está preparado para receber, um câncer de mama. Viúva, mãe de três filhos já crescidos e conhecida pelo humor contagiante que conquistou os moradores de Anchieta, tradicional bairro da Zona Norte do Rio, ela precisou reunir forças para enfrentar uma das fases mais difíceis de sua vida. No caminho, porém, encontrou algo que faria toda a diferença, suporte, afeto e uma nova família.

Essa rede de apoio surgiu na Biblioteca A Casa Amarela, projeto social idealizado e criado por Pedro do Livro em 2022, que dona Chica, conforme conhecida no bairro, passou a frequentar. Foi na Quinta Delas, atividade semanal que reúne mulheres para momentos de conversa, troca de experiências e convivência, que ela encontrou, entre funcionários e participantes, o carinho e a solidariedade que se tornaram fundamentais durante o enfrentamento da doença.

“Jamais imaginei que pudesse ter um câncer, porque sempre fiz meu preventivo, participei de campanhas do Outubro Rosa, amamentei quatro crianças, três filhos, além de um sobrinho, e nunca esperei por isso”, relatou.

Em pouco mais de um ano, dona Francisca enfrentou um tratamento que incluiu 16 sessões de quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia para retirada da mama direita, realizada em abril de 2025. Durante o processo, perdeu os pelos do corpo, inclusive as sobrancelhas, e enfrentou momentos de medo, revolta e fragilidade.

“Fiquei completamente careca, bastante debilitada, com medo e revoltada. Antes da doença, nunca senti nada”, lembrou.

Psicóloga da Biblioteca A Casa Amarela há oito meses, Rayane Arcanjo da Camara destacou que dona Chica encontrou no espaço comunitário o acolhimento de que precisava.

“Dona Chica chegou à Casa Amarela em um momento muito desafiador da vida. Ela precisava de um espaço onde pudesse compartilhar suas experiências, encontrar apoio e reunir forças para continuar enfrentando esse processo. Aqui, foi recebida com muito carinho, afeto e solidariedade, por mulheres que abriram seus braços e seus corações para acolhê-la”, contou.

E prosseguiu: “Aos poucos, dona Chica percebeu que não precisava enfrentar tudo sozinha. Acredito que todas nós tivemos um papel muito importante na história dela, assim como ela também passou a fazer parte das nossas histórias. É isso que o acolhimento proporciona: cria laços, fortalece a autoestima e mostra que, mesmo nos momentos mais difíceis, o apoio e a presença de outras pessoas podem fazer toda a diferença”.

Uma das pessoas que acompanhou de perto essa fase da vida de dona Chica foi Verônica Farias, coordenadora da Biblioteca A Casa Amarela.

“A história de superação de dona Chica nos emociona muito. Acredito que sua experiência pode inspirar outras mulheres que estejam passando por problemas semelhantes. Tudo isso reforça nosso compromisso com a promoção de um ambiente de cuidado, apoio e transformação de vidas”, destacou Verônica.

Para Pedro do Livro, idealizador da Biblioteca A Casa Amarela, histórias como a de dona Chica mostram que o trabalho social vai muito além do incentivo à leitura.

“A Casa Amarela nasceu com o propósito de transformar vidas, e isso vai muito além das nossas atividades diárias. Queremos que cada pessoa que chegue aqui se sinta acolhida, respeitada e amparada. A história de dona Chica mostra a importância de construirmos espaços de solidariedade e esperança, onde ninguém precise enfrentar sozinho os momentos mais difíceis da vida. Ver uma mulher encontrar forças para seguir em frente, cercada de carinho e apoio, é a certeza de que estamos no caminho certo. Na Casa Amarela, acreditamos que cuidar das pessoas também é uma forma de transformar a sociedade”, destacou Pedro do Livro.

A trajetória de dona Chica reforça a importância do apoio emocional, da convivência e da solidariedade durante o tratamento de uma doença que afeta não apenas o corpo, mas também a autoestima e a saúde emocional. Na Biblioteca A Casa Amarela, ela encontrou um espaço para compartilhar sentimentos, construir amizades e renovar a esperança, mostrando como o acolhimento e os vínculos afetivos podem fazer a diferença em momentos tão difíceis.

Serviço

Atividade: Quinta Delas

Dia: Quinta-feira

Horário: às 17h

Local: Biblioteca A Casa Amarela

Endereço: Rua Rebelo da Silva, 318 – Parque Anchieta

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