Anac estuda rotas por instrumentos no Rio após colisão fatal de helicópteros, buscando maior segurança aérea

Anac estuda rotas IFR no Rio de Janeiro

Anac avalia novas rotas para helicópteros no Rio de Janeiro após trágico acidente

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está em processo de discussão para implementar rotas de voo por instrumentos (IFR) para helicópteros na cidade do Rio de Janeiro. Esta iniciativa surge como uma resposta direta ao grave acidente ocorrido em 14 de junho, quando duas aeronaves colidiram no ar na região do Recreio dos Bandeirantes, resultando na morte de seis pessoas.

Atualmente, o tráfego aéreo de helicópteros na capital fluminense é regido por corredores pré-determinados, onde a separação entre as aeronaves depende da visão e responsabilidade dos pilotos. A proposta de adotar rotas IFR visa mudar esse cenário, orientando os voos através de instrumentos de bordo e do controle de tráfego aéreo, eliminando a dependência da referência visual externa e aumentando a segurança.

Conforme dados divulgados pela Anac, o Rio de Janeiro registra atualmente 319 helicópteros, o que representa um aumento expressivo de 29% nos últimos três anos. Esse crescimento na frota tem sido acompanhado por um aumento preocupante nos incidentes. Em 2025, o estado registrou 142 ocorrências, um número significativamente maior que os 11 incidentes em São Paulo, que detém a maior frota do país. Somente neste ano, o Rio de Janeiro já contabiliza 61 incidentes.

Decea reforça monitoramento e apura infrações aéreas

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) assegura que mantém um monitoramento constante das operações aéreas na região. Desvios de rota e o descumprimento de altitudes mínimas são tratados como infrações de tráfego aéreo. A apuração e a aplicação de sanções competem à Junta de Julgamento da Aeronáutica (JJAER). Quando as irregularidades fogem da esfera regulatória da Anac, os processos são encaminhados à Agência.

O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) tem acompanhado o tema por mais de um ano. Ele declarou que a resposta do Decea corrobora as cobranças feitas anteriormente. “Existe estrutura para monitorar e punir infrações, mas faltam números concretos sobre quantas irregularidades foram apuradas e quantas sanções foram de fato aplicadas. Vamos continuar cobrando esses dados até que a população do Rio tenha respostas objetivas sobre a segurança do espaço aéreo na cidade”, afirmou o parlamentar.

Medidas de segurança e revisão de procedimentos em andamento

Em resposta à crescente preocupação com a segurança aérea, o Decea anunciou um conjunto de medidas. Entre elas, está a intensificação do monitoramento de rotas e altitudes, além da avaliação técnica dos procedimentos de tráfego aéreo vigentes. A revisão de procedimentos, rotas, cartas aeronáuticas e altitudes mínimas também está em estudo.

Adicionalmente, o Decea analisará a viabilidade de ampliar os recursos de vigilância e participará de reuniões técnicas interinstitucionais. Estas reuniões contarão com a participação de órgãos como o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), a Anac, operadores aéreos, administração aeroportuária, representantes comunitários e parlamentares, visando uma abordagem colaborativa para a segurança aérea.

Relembre o trágico acidente no Recreio dos Bandeirantes

O acidente que motivou estas discussões ocorreu em 14 de junho, quando dois helicópteros colidiram em pleno voo. A queda das aeronaves aconteceu no pátio de uma concessionária de carros elétricos no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio, provocando um grande incêndio. No primeiro helicóptero estavam o piloto Alexandre Souza e os passageiros Lucas Brito Chaves, Nickel Oliver Tree, Lucas Vignale e Gaspar Prim. Na outra aeronave, viajava apenas o piloto Charles Marsillac.

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