Almir Saint-Clair morre aos 89 anos no Rio de Janeiro

Almir Saint-Clair

Almir Saint-Clair, cantor e intérprete de carnaval, morreu aos 89 anos após passar mal em casa, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A morte ocorreu na noite desta segunda-feira (5) e foi confirmada por familiares do artista ao jornal O Dia.

Com uma trajetória que começou ainda nos anos 1950, Almir Saint-Clair foi um nome marcante da música brasileira, especialmente no samba e nas tradicionais apresentações de carnaval. Ele iniciou sua carreira na Rádio Nacional e, ao longo da década de 1960, lançou vários compactos com repertório que transitava entre sambas e canções românticas.

Além da música, teve também passagens relevantes pelo teatro, integrando companhias de grandes nomes como Fernanda Montenegro, Tônia Carrero e Bibi Ferreira. No cinema, Almir atuou no filme “Capitu” (1967), dirigido por Paulo Cezar Saraceni, uma das obras de referência do Cinema Novo.

Durante os anos 1970, o artista se envolveu com a produção de espetáculos musicais, entre eles o “Festa Brasileira”, que percorreu 14 países europeus entre 1973 e 1975, conforme registros publicados pelo site Sambariocarnaval, que mantém uma biografia detalhada sobre o cantor.

Na volta ao Brasil, Almir foi convidado a integrar o time de intérpretes de samba-enredo. Em 1975, foi voz da escola Em Cima da Hora e, a partir de 1981, passou a integrar a Império da Tijuca, onde permaneceu durante cinco anos, conquistando destaque na Marquês de Sapucaí.

Mesmo com o passar das décadas, seguiu ativo na cena cultural carioca. No final de 2003, lançou o álbum independente “Revivendo Noel Rosa”, uma homenagem ao lendário compositor da Vila Isabel. O disco reafirmava sua ligação com a memória da música popular brasileira.

Fora dos palcos, Almir Saint-Clair também era reconhecido por seu engajamento em projetos culturais. Participava da Confraria dos Amigos do Rádio, que se reúne mensalmente na Taberna da Glória, e era conselheiro do Instituto Funjor, instituição que promove ações voltadas à preservação da história do rádio e da música nacional.

“Almir era apaixonado pela arte em todas as suas formas. Um verdadeiro guardião da história musical do Brasil,” comentou um dos membros da confraria, em depoimento ao jornal O Dia.

A família do artista ainda não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento. O legado de Almir Saint-Clair permanece vivo na memória cultural do Rio de Janeiro e no coração de quem acompanhou sua história nas ondas do rádio, nos palcos e nas avenidas do samba.

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