Os alimentos de Maricá estão no centro de uma estratégia da Prefeitura para fortalecer a produção local, gerar renda e ampliar a presença da cidade em novos mercados. A iniciativa é conduzida por meio da Companhia Maricá Alimentos (Amar), criada para conectar produtores, agregar valor aos produtos e abrir caminhos para a comercialização dentro e fora do Brasil.
A proposta faz parte de um movimento mais amplo de diversificação econômica do município. Com projetos ligados à agricultura familiar, à pesca artesanal e ao beneficiamento de produtos, Maricá busca reduzir a dependência futura dos recursos do petróleo e criar novas cadeias produtivas capazes de gerar emprego, renda e receita.
Um dos exemplos dessa projeção foi a participação da cidade na Brasil Origem Week, realizada em Portugal. No evento, a Amar apresentou produtos desenvolvidos no município, como macarrão de aipim, frutas desidratadas, chocolate e projetos voltados ao pescado enlatado.
“O alimento é hoje um dos principais temas do mundo, e Maricá pode ser uma potência na produção, comercialização e distribuição de alimentos para outras cidades, estados e até para o mercado internacional”, afirmou o presidente da Amar, Marlos Costa, em divulgação da Prefeitura de Maricá.
Segundo Marlos, a presença em feiras nacionais e internacionais ajuda a fortalecer a marca da cidade e abre espaço para novas oportunidades comerciais. A ideia é apresentar Maricá não apenas como destino turístico, mas também como referência em atividades econômicas ligadas à produção de alimentos.
“Além de divulgar a cidade internacionalmente, levamos produtos alimentícios de Maricá para que sejam conhecidos fora do Brasil. O objetivo é que Maricá se desenvolva também como destino turístico e como referência em novas atividades econômicas”, explicou Marlos Costa.
Ainda em 2026, a Amar prevê avanços em novas unidades produtivas. Entre os projetos estão fábricas de chocolate e café, com foco em produtos de maior valor agregado. A proposta inclui chocolate produzido com cacau agroecológico, cultivado em sistema agroflorestal, e café de pequenos produtores brasileiros, que será torrado, moído e encapsulado em Maricá.
“É importante ressaltar que Maricá tem procurado desenvolver novas atividades econômicas, já preparando o município para um futuro de possível escassez dos recursos de royalties e participações especiais do petróleo. A intenção é criar novas cadeias produtivas que gerem renda, emprego e receita para a cidade”, destacou o presidente da Amar.
Outro eixo importante da atuação da companhia é a estruturação de unidades de beneficiamento para ampliar o valor da produção local. Um dos projetos em andamento é o centro de filetagem de pescado, em construção no Espraiado, em parceria com uma cooperativa de pescadores.
A unidade permitirá que o pescado produzido na cidade seja processado e comercializado com maior valor agregado. A expectativa é que a medida beneficie diretamente trabalhadores da pesca artesanal, aumentando a renda de quem atua nas lagoas e no mar.
“A tilápia pescada nas lagoas pode ser comercializada por cerca de R$ 5 o quilo. Quando esse pescado é filetado, conseguimos multiplicar esse valor. Por isso, é fundamental que o município tenha indústrias de beneficiamento de alimentos. Isso agrega valor ao produto, gera mais receita, emprego e renda para a cidade”, afirmou Marlos.
A Amar também trabalha no projeto de enlatamento de pescado, com previsão de construção de uma fábrica no segundo semestre. A proposta inclui produtos como pirarucu, tilápia e outros pescados, com potencial de venda nos mercados nacional e internacional.
“Há décadas os pescadores artesanais da cidade esperam uma unidade de beneficiamento. Queremos inverter a lógica atual, fazendo com que a maior parte da receita fique nas mãos de quem trabalha, de quem sai para o mar, para a lagoa e de quem faz a criação em tanques”, disse o presidente da Amar.
A agricultura familiar também está entre as prioridades. Um termo de fomento foi assinado entre a Amar e a Associação de Agricultura Familiar de Maricá (Afamar), no valor de R$ 150 mil. O recurso será usado para apoiar a compra de insumos, a preparação da terra, a colheita e a estruturação dos agricultores.
“Nós temos uma grande parceria com a Associação de Agricultura Familiar de Maricá. Esse termo de fomento permite que a associação tenha capacidade de comprar insumos, preparar a colheita e depois colher. A Amar também tem o compromisso de comprar essa produção ao final, para colocá-la no mercado”, explicou Marlos Costa.
Durante a Brasil Origem Week, a companhia ainda assinou um pré-contrato com o grupo espanhol MSB, referência na Galícia em cultivo e beneficiamento de mexilhões. A intenção é trazer para Maricá uma tecnologia considerada inédita no Brasil, envolvendo cultivo, crescimento e processamento de mariscos.
A experiência espanhola segue normas sanitárias rigorosas da União Europeia e pode permitir que Maricá forneça mariscos frescos para restaurantes e mercados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O projeto também aproxima o município da chamada economia azul, conceito ligado ao uso sustentável dos recursos do mar para gerar desenvolvimento.
“Assinamos esse pré-contrato com um grupo espanhol que atua no cultivo de mexilhões na Galícia. Queremos trazer essa tecnologia para Maricá e fazer com que a cidade se torne uma das maiores produtoras de mexilhões do Brasil”, afirmou Marlos.
Para a Prefeitura, os projetos mostram que a cidade busca transformar sua vocação produtiva em uma nova frente de crescimento. Ao unir pesca, agricultura, beneficiamento e parcerias internacionais, Maricá tenta ampliar o alcance de seus produtos e fortalecer a economia local.
“A economia azul é uma economia limpa e sustentável. Maricá se coloca na linha de frente ao resgatar a tradição da pesca artesanal e, ao mesmo tempo, avançar no beneficiamento, na industrialização e na produção em escala. Isso significa mais postos de trabalho e mais desenvolvimento para a cidade”, concluiu o presidente da Amar.
Com os investimentos, os alimentos de Maricá passam a ocupar papel estratégico no futuro econômico do município. A aposta da Prefeitura é transformar a produção local em oportunidade, levando o nome da cidade a novos consumidores e ampliando o impacto social das cadeias de pesca e agricultura.














