Advogada presa aparece em vídeo fazendo “oração da extorsão” ao lado de sargento

advogada Tatiane Meireles e o sargento da Polícia Militar de Goiás (PMGO) Hebert Póvoa

A chamada oração da extorsão, registrada em vídeo durante uma investigação da Polícia Civil de Goiás, mostra a advogada Tatiane Meireles e o sargento da Polícia Militar Hebert Póvoa realizando uma reza sobre maços de dinheiro arrecadados pela quadrilha. As imagens foram gravadas em Luziânia e apreendidas na operação deflagrada na última sexta-feira.

No registro, Tatiane conduz a oração enquanto o sargento permanece em silêncio, com as mãos sobre o montante de dinheiro obtido nas cobranças violentas. A advogada afirma:
“O Senhor nos faz grande e que todos tenham gratidão, e que o dinheiro retorne para nós. Um dinheiro abençoado… e que estamos abençoando essas pessoas. Pedimos a Deus que multiplique esse dinheiro. Pedimos ao Pai amado que nós possamos multiplicar esse dinheiro.”

Segundo investigadores, a gravação simboliza o grau de organização, frieza e confiança do grupo nas atividades criminosas. O dinheiro exibido no vídeo é apontado como fruto de extorsão, agressões físicas e ameaças armadas feitas contra pessoas endividadas.

A Polícia Civil de Luziânia prendeu seis suspeitos, incluindo o sargento Hebert Póvoa, sua esposa Tatiane Meireles, dois policiais militares e dois civis. As prisões ocorreram após denúncias da própria Polícia Militar de Goiás, que identificou indícios de envolvimento de integrantes da corporação em tortura, agiotagem e lavagem de dinheiro.

Além da oração da extorsão, os investigadores apreenderam vídeos que mostram vítimas sendo agredidas durante as cobranças. Em uma das gravações, Póvoa aparece armado dentro da casa de uma mulher, a quem desfere tapas enquanto a chama de “vagabunda” e “piranha”. Ele ainda a ameaça e exige o pagamento da dívida, enquanto a vítima tenta explicar que não tinha recebido o valor cobrado.

Outros registros revelam homens ajoelhados, chorando e sendo espancados com tacos de baseball, cassetetes e chutes. Em um deles, um agressor diz: “Aqui no Goiás você vai aprender como funciona.” Tatiane também aparece participando das agressões, golpeando um homem com um cassetete e gritando: “Levanta! Levanta o braço, porra!”

Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam armas de fogo, objetos usados nas agressões e cerca de R$ 10 mil em espécie, parte relacionada à cena da oração da extorsão.

A investigação aponta que o grupo funcionava como uma organização criminosa estruturada. Póvoa, que já havia sido candidato a vereador pelo PL, usava intensamente a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2024 e se apresentava como representante da moralidade e da anticorrupção. Ele retornou recentemente à corporação após afastamento por motivos psicológicos, mas ainda não atuava nas ruas.

Os presos devem responder por tortura, extorsão, agiotagem, lavagem de dinheiro e outros crimes. As apurações seguem em andamento.

Limpatech