2025 ficará marcado como o ano em que o Brasil retomou definitivamente seu espaço no mapa global do turismo. Após meses de expectativa e sinais positivos vindos do mercado internacional, o país celebrou uma marca histórica: mais de 8 milhões de turistas estrangeiros desembarcaram aqui antes mesmo do fim de novembro — o maior número já registrado.
Pela primeira vez, voltamos a ocupar o topo dos rankings internacionais de crescimento, segundo a ONU Turismo. E mais do que estatística, esse sucesso traduz uma percepção clara: o Brasil está, novamente, na vitrine do mundo.
O Rio de Janeiro, naturalmente, surfa essa maré. Dados recentes mostram que o estado recebeu quase 1,8 milhão de visitantes internacionais entre janeiro e outubro, um salto de quase 50% em relação ao ano anterior. Para quem vive o dia a dia do setor — motoristas, guias, receptivos, restaurantes, agentes de viagem — esse fluxo traz movimento, geração de renda e novas perspectivas.
No entanto, é justamente nos momentos de euforia que precisamos pisar no chão.
Mais turistas significam mais pressão sobre aeroportos, mobilidade, segurança e serviços urbanos. Significam também mais impacto ambiental, mais desafios para as comunidades que vivem nos destinos e mais responsabilidades para quem recebe. O turismo cresce, mas os problemas crônicos continuam aqui — e, se não forem enfrentados, tendem a se agravar.
A boa notícia é que esse recorde surge no momento em que o Brasil discute, com mais maturidade, seu papel no turismo global. Fala-se em sustentabilidade, em descentralizar fluxos, em fortalecer o turismo de base comunitária, em qualificar mão de obra.
E é aí que entra a responsabilidade do setor privado.
Sou empresário do turismo há mais de dez anos. Sei o peso que carrega um motorista que chega às 4h da manhã para buscar um passageiro no aeroporto. Sei o quanto um guia de turismo estuda, se reinventa e batalha para entregar experiências de qualidade. Sei também onde o sistema falha — e como muitas vezes quem segura a barra é o trabalhador da ponta.
É por isso que, diante desse cenário de recordes, penso que o debate mais importante não é apenas “quantos” turistas recebemos, mas como estamos preparados para receber esse novo Brasil que se abriu ao mundo.
Mais que celebrar números, precisamos:
ampliar políticas de qualificação profissional;
fortalecer instituições sérias de formação;
melhorar regras, fiscalização e segurança;
descentralizar investimentos;
valorizar o turismo como política pública — e não apenas como marketing.
Se o país vive seu melhor momento no turismo internacional, cabe a nós garantir que esse crescimento não seja um voo de galinha, mas um projeto consistente de desenvolvimento econômico e social.
O Brasil voltou ao mapa do mundo. Agora precisamos garantir que esse mapa inclua mais oportunidades, mais dignidade e mais futuro para quem constrói o turismo todos os dias.
Bruno Mann é empresário e especialista em turismo receptivo, fundador da Brazil Connection
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














