Advogada argentina investigada por racismo se defende após caso no Rio

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A advogada argentina investigada por racismo voltou a se pronunciar após o episódio ocorrido em um bar de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Após retornar ao seu país, Agostina Páez concedeu entrevista à imprensa local e comentou o caso que ganhou repercussão tanto no Brasil quanto na Argentina.

Durante a entrevista, ela afirmou que não teve intenção de cometer discriminação racial ao realizar os gestos que levaram à investigação. Segundo seu relato, a ação não teria sido motivada pela cor da pele das pessoas envolvidas.

“Eu os vi agarrando as partes íntimas. Não tive a dimensão do que estava fazendo; não foi por causa da cor da pele deles. Vi alguém agarrando as partes íntimas e foi isso que eu fiz”, declarou, em entrevista a um podcast do canal Olga.

A advogada também relatou que, inicialmente, não acreditou na gravidade da situação ao ser chamada pelas autoridades brasileiras. Ela contou que entrou em estado de choque ao perceber as consequências do ocorrido e afirmou que passou a refletir sobre o episódio após assistir às imagens.

“Quando recebi a notificação de que precisava ir à delegacia, achei que fosse mentira. Quando cheguei, me disseram que eu não podia sair do país e me mostraram o vídeo. Foi aí que parei para pensar e não consegui acreditar. Fiquei em choque”, disse.

Ela permaneceu cerca de dois meses sob monitoramento com tornozeleira eletrônica, além de ter pago fiança e informado endereço à Justiça brasileira. Posteriormente, conseguiu autorização para deixar o país e seguirá respondendo às acusações na Argentina.

Apesar de reconhecer a responsabilidade pelos seus atos, a advogada afirmou que vem sendo alvo de ataques após a repercussão do caso nas redes sociais e na imprensa.

“Eu me castigo muito por isso, não acho que seja injusto, é a lei. Peço desculpas. Mas acho injusto que me desejem a morte e que eu seja estuprada; isso realmente me afeta”, afirmou.

O caso ganhou novos desdobramentos após a circulação de imagens envolvendo o pai da advogada, o empresário Mariano Páez, que apareceu reproduzindo gestos semelhantes em um bar em Buenos Aires. A atitude gerou nova repercussão e ampliou o debate sobre o episódio.

Sobre a situação, ela afirmou não compreender a atitude do pai, mas disse não acreditar que tenha havido intenção discriminatória.

“Não sei por que ele fez isso. Eu estava com tanta raiva, com tanta vergonha. Me senti péssima. Embora meu pai tenha me apoiado, ele costuma fazer coisas com as quais eu discordo completamente”, declarou.

“Na verdade, não acredito que meu pai tenha feito isso com a intenção de discriminar. Não sei por que ele fez isso, gostaria de entender”, completou.

A defesa da advogada indicou que o comportamento do pai pode ter impacto no andamento do processo, que segue sendo acompanhado pelas autoridades.

Durante a entrevista, Agostina também afirmou que o episódio abriu espaço para discussões sobre o racismo na Argentina, destacando que o tema ainda é pouco debatido no país.

“Há uma invisibilidade aqui em relação ao racismo. Nós, argentinos, o tornamos invisível, mas ele existe. Quando isso foi discutido? Nunca, e agora está sendo discutido”, disse.

O caso continua repercutindo nos dois países e levanta discussões sobre responsabilidade, cultura e consequências de atitudes que ultrapassam fronteiras — e ainda promete novos capítulos.

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