Os acidentes no Rio passaram de 15 mil registros apenas nos cinco primeiros meses deste ano, segundo levantamento do Corpo de Bombeiros. A média é de 105 atendimentos por dia na capital fluminense, envolvendo carros, motos, bicicletas, outros veículos e também pedestres.
O número representa aumento de 8% em comparação com o mesmo período do ano passado. A maior parte dos chamados feitos aos bombeiros está relacionada a colisões entre veículos, que somaram cerca de 9,6 mil ocorrências e representam mais de 62% dos acionamentos.
Na sequência aparecem as quedas envolvendo veículos, com aproximadamente 3,3 mil registros. Os atropelamentos ocupam a terceira posição no levantamento, com mais de 2 mil casos contabilizados na cidade do Rio de Janeiro.
No estado, o volume também chama atenção. Até o fim de maio, foram registradas 31,2 mil ocorrências de trânsito. O padrão se repete em relação à capital, com batidas entre veículos liderando a lista de atendimentos.
Além dos atendimentos feitos pelos bombeiros, os impactos dos acidentes aparecem também na rede de saúde. Em todo o ano passado, cerca de 13,6 mil pessoas foram internadas em unidades que atendem pelo SUS no estado do Rio, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.
A maioria das vítimas internadas estava em motocicletas, com quase 9 mil casos. Em seguida aparecem pedestres, com 2,2 mil vítimas, ciclistas, com pouco mais de mil registros, e ocupantes de automóveis, que somaram 718 internações.
O número de mortes também reforça a gravidade do problema. No ano passado, 1.342 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito no estado, dado que evidencia o tamanho do desafio enfrentado pelas autoridades.
Para especialistas e ativistas da área, o cenário está ligado à falta de educação contínua no trânsito, à necessidade de fiscalização mais efetiva e a melhorias na engenharia de tráfego. Fernando Diniz, fundador da ONG Trânsito Amigo, perdeu um filho em um acidente de carro há 23 anos e passou a atuar pela conscientização.
“Não há educação no trânsito e também não há engenharia de tráfego, não tem fiscalização de trânsito. É fazer conscientização, fazer programas educativos nas escolas, sejam particulares ou do município ou do estado. Mas tem que ser uma coisa contínua”, afirmou Fernando Diniz, fundador da ONG Trânsito Amigo, em entrevista ao RJ2.
Flagrantes feitos pelo RJ2 entre a Zona Sul, o Centro e a Zona Norte mostraram infrações graves nas ruas da cidade. Entre elas, avanço de sinal, bicicletas fora das ciclovias, carros subindo em calçadas e situações em que pedestres ficaram expostos ao risco durante travessias.
A Prefeitura do Rio informou que a fiscalização das infrações de trânsito ocorre de forma integrada entre a Guarda Municipal, a Secretaria de Ordem Pública e a CET-Rio. O trabalho, segundo o município, conta com agentes nas ruas e equipamentos tecnológicos espalhados pela cidade.
Ainda de acordo com a prefeitura, entre as infrações mais registradas estão excesso de velocidade, circulação irregular em faixas exclusivas, avanço de sinal vermelho e estacionamento em desacordo com as regras de trânsito.
Com o aumento dos atendimentos e o impacto direto sobre vítimas, famílias e serviços públicos, os dados reforçam que a segurança no trânsito segue como um dos principais desafios urbanos do Rio.














