O jornalista e escritor Zuenir Ventura, que morreu nesta semana aos 95 anos, pode virar nome de rua em Ipanema, na Zona Sul do Rio. O projeto foi protocolado na Câmara Municipal.
A homenagem faz parte do Projeto de Lei nº 266/2026, publicado no Diário Oficial do Município na quinta-feira (24/09). A iniciativa partiu do vereador Flávio Valle e do presidente da Casa, Carlo Caiado.
Câmara quer homenagear escritor em Ipanema com aval da família
Zuenir Ventura viveu por mais de 50 anos em Ipanema ao lado da mulher, Mary Ventura. Por conta dessa ligação antiga com o bairro, os vereadores propuseram batizar um logradouro da região com o nome do escritor. O ponto exato ainda não foi fechado porque a Câmara quer ouvir os parentes dele antes de bater o martelo.
Segundo a liderança do projeto, o objetivo é escolher um local que tenha peso afetivo na trajetória do jornalista. Ele era presença frequente nas calçadas do bairro e costumava frequentar o Arpoador para ver o pôr do sol. A escolha final da rua ou travessa será alinhada diretamente com os familiares nos próximos dias.
Como funciona o processo para mudar o nome de uma rua?
Para um logradouro receber novo nome no Rio de Janeiro, a proposta precisa passar por comissões da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Depois dessa fase técnica, o texto vai para votação em plenário pelos vereadores em dois turnos.
Se for aprovada pela maioria dos parlamentares, a matéria segue para o prefeito, que pode sancionar ou vetar a lei. Caso seja sancionada, a Prefeitura do Rio providencia a troca da sinalização nas esquinas e atualiza os mapas oficiais. Para quem mora na rua escolhida, a mudança costuma exigir atualização de cadastro em bancos e serviços essenciais, embora os Correios mantenham o cruzamento dos CEPs antigos durante a transição.
Qual foi o legado de Zuenir Ventura para o Rio de Janeiro?
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir Ventura adotou o Rio ainda jovem e construiu aqui toda a sua carreira. Ele trabalhou em grandes redações da imprensa nacional, como Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Globo, Veja e IstoÉ.
Na literatura, retratou com precisão as dores e a rotina do carioca. Em 1994, lançou o livro “Cidade Partida”, obra em que investigou a violência urbana a partir da chacina de Vigário Geral, na Zona Norte. O livro virou referência para entender os contrastes entre morro e asfalto. Outro marco foi “1968: O Ano que Não Terminou”, leitura obrigatória sobre o período da ditadura militar no Brasil. Zuenir venceu o Prêmio Jabuti e ocupava a cadeira número 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2015.
O que dizem os vereadores sobre a proposta?
O vereador Flávio Valle explicou que a escolha de Ipanema é uma forma de respeitar o cotidiano do escritor, que circulou pelas ruas do bairro por mais de meio século. De acordo com o parlamentar, o diálogo com a família vai garantir que o trecho escolhido faça sentido para quem acompanhou a vida dele.
Já o presidente da Câmara, Carlo Caiado, ressaltou que a iniciativa reconhece a importância do repórter para a crônica da cidade. Ele pontuou que Zuenir dedicou décadas da carreira a decifrar o comportamento do carioca e os problemas sociais da capital fluminense.
O que já se sabe sobre as homenagens e despedida?
Zuenir Ventura faleceu em sua residência na terça-feira (22/09), após complicações causadas por uma pneumonia. A despedida foi marcada por homenagens públicas de leitores, amigos e colegas de profissão no Centro e na Zona Sul.
O velório aconteceu na quarta-feira (23/09), no prédio da Academia Brasileira de Letras, na Avenida Presidente Wilson, Centro do Rio. Em seguida, o corpo foi sepultado no mausoléu da ABL, localizado dentro do Cemitério São João Batista, em Botafogo. A tramitação do projeto de lei na Câmara segue ao longo das próximas semanas nas sessões legislativas do Palácio Pedro Ernesto.














