Willer Tomaz e Blaze: Diálogos Revelam Estratégias para Driblar Regulação de Apostas Online com Criptomoedas e Bônus Milionários

Diálogos entre Willer Tomaz e concierge da Blaze expõem combinações para burlar regras federais de apostas online, com uso de criptomoedas e liberação de reconhecimento facial.

Conversas entre o advogado Willer Tomaz e um representante da Blaze revelam articulações para driblar a regulamentação federal de apostas online. As trocas de mensagens, que constam em ata notarial, indicam que o advogado buscava soluções para os questionamentos de bancos e órgãos reguladores sobre o alto volume de suas transações financeiras.

Tomaz teria sugerido a criação de uma linha de crédito para unificar suas transações mensais, similar ao que pratica com cassinos em Las Vegas. A proposta visava contornar os limites impostos pela legislação brasileira, que exige transferências eletrônicas entre contas autorizadas pelo Banco Central.

A sugestão de usar criptomoedas como alternativa para movimentar valores maiores, sem as restrições bancárias, foi aceita pelo advogado. Essa prática, juntamente com a dispensa do reconhecimento facial para saques, foram detalhes de como Willer Tomaz e a Blaze combinavam formas de driblar a regulamentação de apostas, conforme revelado em reportagem.

Uso de Criptomoedas para Contornar Limites Bancários

Em uma das conversas, Willer Tomaz expressou preocupação com o volume de transações bancárias e questionou o concierge da Blaze sobre possíveis soluções. Ele mencionou acordos com cassinos em Las Vegas, onde possui linhas de crédito elevadas, e perguntou se algo semelhante seria possível para suas operações com a plataforma.

O gerente VIP da Blaze, por sua vez, propôs o uso de criptomoedas como forma de superar os limites estabelecidos. Segundo ele, essa modalidade permitiria movimentar valores maiores em depósitos e saques, sem as amarras dos sistemas bancários tradicionais. Willer Tomaz aceitou a sugestão, pedindo orientação sobre como proceder.

Transações Milionárias e Bônus de Fidelidade

Após a adoção das criptomoedas, Willer Tomaz passou a realizar apostas de valores ainda mais expressivos. Em um período de apenas dois minutos, em 31 de outubro de 2025, ele registrou ganhos e perdas de R$ 2,5 milhões cada, em apostas de R$ 500 mil em uma mesa de cassino virtual exclusiva.

Quando tentou sacar os lucros acumulados, no entanto, esbarrou em novas dificuldades. A Blaze fracionou os R$ 6 milhões requisitados em 400 depósitos de R$ 15 mil, valor máximo permitido pelo Banco Central para Pix em instituições de pagamento não autorizadas. A situação levou à concessão de um bônus de fidelidade de R$ 3 milhões pela Blaze, dez dias após as transações.

Liberação do Reconhecimento Facial e Aumento de Limites

O advogado, após perder rapidamente o bônus recebido, solicitou nova ajuda ao concierge. A resposta foi a liberação de outro bônus, desta vez de R$ 1,7 milhão, que foi reclamado por Willer como sendo apenas R$ 100 mil, indicando perdas substanciais.

Nesse período, Willer já se beneficiava de outra irregularidade: a dispensa do reconhecimento facial para transferências. Essa exigência da legislação federal foi contornada após o advogado reclamar da demora e dificuldade imposta pela validação biométrica. Ele solicitou o aumento do limite de saque para R$ 500 mil por transação, argumentando que o reconhecimento facial inviabilizava o volume de seu jogo.

O concierge da Blaze prontamente atendeu ao pedido, informando que Willer não seria mais incomodado com o reconhecimento facial e poderia realizar quantos saques desejasse. Documentos apresentados pela Blaze indicam que Willer movimentou cerca de R$ 10 bilhões em apostas online apenas em 2025, atingindo um acumulado de R$ 13 bilhões em junho de 2026. O TJSP rejeitou um pedido para bloquear R$ 144 milhões da Blaze, que visava cobrir as perdas de Willer com jogos.

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