A violência na Zona Sul do Rio voltou a preocupar moradores e frequentadores de bairros como Leblon e Jardim Botânico após uma sequência de assaltos e reações policiais que transformaram áreas conhecidas pelo lazer e alto padrão em cenários de pânico. Em menos de uma semana, duas ocorrências chamaram a atenção e reforçaram a sensação de insegurança na região.
Na quinta-feira (23), por volta das 23h, um policial civil reagiu a uma tentativa de assalto na Rua Aristides Espínola, no Leblon, quando um criminoso em uma moto, disfarçado de entregador de aplicativo, tentou abordá-lo. Houve troca de tiros, e um jovem de 23 anos que passava pela Avenida Ataulfo de Paiva acabou atingido de raspão no braço. A vítima foi socorrida no Hospital Miguel Couto, na Gávea, e liberada após atendimento.
Dois carros estacionados próximos ao local também foram atingidos por disparos. O episódio assustou frequentadores de bares e restaurantes, que presenciaram o momento em que o policial perseguiu o suspeito pelas ruas do bairro. Vídeos gravados por testemunhas mostram o corre-corre e o som de tiros ecoando entre os prédios. A 14ª DP (Leblon) investiga o caso.
Apenas dois dias antes, na terça-feira (21), uma motorista reagiu a uma tentativa de assalto na Rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico, e atropelou dois homens que tentavam roubar seu carro. O veículo, um Jeep Renegade blindado, passou por cima da moto usada pelos assaltantes, que ficaram presos embaixo do automóvel. Os suspeitos, identificados como Thiago Félix Vieira, de 25 anos, e Tiago Gabriel de Brito, de 18, foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros e presos em flagrante.
Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de roubos de celular na área da 14ª DP (Leblon) aumentou 33% nos nove primeiros meses de 2025, com 227 registros entre janeiro e setembro — contra 171 no mesmo período do ano passado. Apesar disso, o total de roubos de rua no 23º BPM, responsável pelo policiamento do Leblon e Jardim Botânico, apresentou leve queda de 4% no mesmo período.
Moradores afirmam que o uso de motos e bicicletas em assaltos tem se tornado cada vez mais comum. “Quem mora aqui sabe que não pode ficar com o celular na mão à noite. Essa esquina já é conhecida como ‘perdeu, mané’”, relatou uma moradora que vive no Leblon há mais de 15 anos.
A Polícia Militar informou que vem intensificando o patrulhamento na região, especialmente à noite, e classificou os casos recentes como “crimes de oportunidade”, em que os criminosos se aproveitam de momentos de distração para agir. “Mesmo em áreas com forte policiamento, a atenção deve ser constante. Ações preventivas e denúncias ajudam a reduzir o risco”, informou o 23º BPM em nota.
Os episódios reacenderam o debate sobre a segurança na Zona Sul, região que, apesar de ter alguns dos menores índices de homicídio da capital, segue enfrentando aumento nos registros de roubos e furtos de pedestres. Moradores e comerciantes pedem mais policiamento fixo e patrulhas constantes em pontos críticos.














